24 de fev de 2016

Denúncia sobre uso massivo de pesticidas perigosos alarma vizinhos de vinhedos na França

Causou comoção na França a denúncia sobre os malefícios que o uso intensivo de agrotóxicos nos vinhedos pode causar aos habitantes das proximidades dos parreirais. A notícia foi divulgada no programa "Cash Investigation", do canal de televisão France 2, apresentado pela jornalista Elise Lucet, no dia 2 de fevereiro.

Segundo a reportagem as pessoas estão expostas pelo ar, água e alimentos a pesticidas potencialmente perigosos à saúde. O foco do programa foi a realização de uma pesquisa, patrocinada pela produção da TV, utilizando como amostras mechas de cabelos de 20 crianças que frequentam escolas e habitam nas proximidades dos vinhedos, no departamento de Gironde, onde está situada a região vinícola cujo centro é Bordeaux. Segundo a administração desse departamento há 132 escolas em áreas consideradas sensíveis, em razão da proximidade com locais onde são aplicados pesticidas.

Cartaz do coletivo Generations Futures
As amostras foram analisadas por um laboratório público de Luxemburgo. O resultado foi que, em média, as crianças apresentam resíduos de  44 pesticidas em seus organismos, 24 dos quais proibidos, mas  ainda presentes no ambiente, ou permitidos mas classificados como perigosos pelas autoridades.

O programa também mostrou um mapa por departamento indicando a quantidade de herbicidas, fungicidas e inseticidas anualmente vendidos e identificando quais mais utilizados. Em toda a França, entre 2008 e 2013 foram consumidos anualmente cerca de 65 mil toneladas de pesticidas puros, considerados perigosos ou potencialmente perigosos para a saúde humana, indicou a reportagem. Os departamentos que estão no topo da lista do consumo são Gironde, Marne e Loire Atlantique.

Segundo a reportagem, nesses três departamentos a lista de agrotóxicos utilizados inclui 71 produtos que são julgados perigosos ou potencialmente perigosos pela Agência Americana de Proteção Ambiental, pela Comissão Européia, e pelo Centro Nacional de Pesquisa sobre o Câncer da França, ligado à Organização Mundial da Saúde.

Contraditando o programa televisivo, o jornal parisiense Le Point argumentou que o relatório utilizado indica também que 97% dos alimentos produzidos na França não contém resíduos que ultrapassam os limites autorizados. Citado pelo jornal, o presidente do Conselho Interprofissional do Vinho de Bordeaux e presidente da Confederação Nacional de Vinhos da França, Bernard Farges, admitiu que o problema existe, que a diminuição dos produtos fitossanitários e pesticidas é uma grande preocupação do mundo vitícola e que o desenvolvimento de variedades vinícolas que necessitem pouco ou nenhum tratamento (em experimentação na Alemanha, Suíça e Itália) é um dos caminhos a seguir.

Em Bordeaux, no dia 14 de fevereiro, ocorreu uma "marcha branca", reunindo centenas de pessoas, com o objetivo de alertar a população em relação aos perigos dos pesticidas. Foi organizada pela Confederação de Agricultores e vários coletivos regionais, como "Gerações Futuras" e   "Fito-Vítimas".

30 de dez de 2015

Espumante, o vinho com borbulhas que mais cresce em produção e consumo em todo mundo

"Os brasileiros descobriram o espumante"

O fenômeno é mundial. Em dez anos, a produção  dos chamados "vinhos efervescentes" cresceu 40%, e o consumo 30%, em todo o mundo, segundo estatística da Organização Internacional do Vinho (OIV) relacionada ao  período 2003-2013. No mesmo período os "vinhos tranquilos" cresceram 7%, e o consumo apenas 4%.

A bebida se democratizou, perdeu o caráter sazonal (bebia-se só nas festas de fim de ano) e dispensou também a aura elitista que a envolvia, por causa do preço alto e escassez. Para mudar esse panorama contribuiu o aumento da oferta e da variedade de tipos e marcas de espumantes nas prateleiras e também a melhoria de renda em alguns países, permitindo que entrasse em todos os climas de celebração social e familiar. Há ainda um efeito de moda, evidentemente. Mas a tendência para o espumante, segundo a OIV, é que passe  para uma escala de consumo regular.

Produção aumenta 248% no Brasil

O Brasil entra nessa história com um aumento de produção de 248%  na década considerada. No ano de 2015, até outubro, houve um acréscimo de vendas de 15% em relação ao ano passado. Isso significa, segundo o Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin), 12,9 milhões de litros de espumantes vendidos.

Adolfo Lona
"Os brasileiros descobriram o espumante". É o que disse o enólogo e produtor de espumantes Adolfo Lona, de Garibaldi, em uma palestra-degustação na confraria de vinhos da Fundação Ecarta, em Porto Alegre, em dezembro. "O brasileiro adotou o espumante com menos complicação, do que em relação ao vinho brasileiro. Foi mais tranquilo, e nesse aspecto destaco o papel da mulher como protagonista do consumo, fazendo com que seu companheiro perdesse o preconceito".

Um símbolo do Brasil vinícola

Lona, cuja trajetória de 42 anos de trabalho, já faz parte da história do vinho no Rio Grande do Sul, afirmou que o Brasil tem um grande potencial para o espumante, por conta dos  atributos de qualidade da bebida, entre as quais leveza e frescor, combinado com a geografia tropical e suas praias e o espírito festivo do brasileiro. "Só nos falta ampliar a cultura do beber espumante. Temos de trabalhar para tornar o espumante em um símbolo do Brasil", ressaltou. "Atualmente o espumante está ao alcance de todo mundo. Ao contrário de anos atrás, está mais acessível. São virtudes que fazem crescer o consumo dos brasileiros. Além disso, do ponto de vista gastronômico, o espumante harmoniza com todos os pratos. É a mais versátil das bebidas", concluiu.

Países emergentes no cenário

No mundo, quatro países ainda concentravam, em 2013, a produção de 63 % dos vinhos espumantes  (França, Itália, Alemanha, Espanha), e 87% do valor total de exportação mundial. A França é o maior produtor, apenas o Champagne representa 15% de todos os vinhos espumantes produzidos no mundo. No quesito volume de exportação, a Itália detinha em 2013 a maior fatia mundial: 44%. Mas a França,  faturava 53% do total do valor em euros. Apesar disso, a França vem registrando perdas percentuais no total de faturamento no decorrer dos últimos anos.

Em 2013 produziram-se 17,6 milhões de hectolitros de espumantes em todo o mundo e consumiram-se 15,4 milhões de hectolitros. Os maiores consumidores são a Alemanha, França, Rússia, Estados Unidos, Itália e Reino Unido. O Champagne e os vinhos espumantes também estão em alta na China, que é o quinto maior importador dessas bebidas, depois da União Européia, Estados Unidos, Japão e Austrália.

A novidade é que, na década analisada, países emergentes começaram a entrar no mundo do espumante com produção significativa e crescente:  Rússia,Ucrânia. Hungria, Estados Unidos e Austrália.  A Argentina aumentou 198% e o Brasil 248%.

No Brasil, o Ibravin lançou em dezembro, com o logotipo Brasil Espumantes, uma campanha para dar identidade institucional ao espumante brasileiro e estimular o seu consumo durante os próximos meses.

30 de nov de 2015

VINHO NATURAL E SEM SULFITOS

TECNOLOGIA É TESTADA EM UNIVERSIDADE ITALIANA 

Uma tecnologia para produzir vinho sem a utilização de sulfitos e outros aditivos químicos, e com baixo custo, vem sendo testada com sucesso há dois anos por pesquisadores da Universidade de Pisa e inclusive já foi patenteada. A notícia foi publicada no dia 19 de novembro de 2015, pela revista digital semanal Teatro Naturale, de Livorno, que se ocupa de temas relacionados ao mundo rural. 

Os sulfitos (dióxido de enxofre - SO²) são utilizados na vinicultura convencional como antisséptico e como conservante (antioxidante) do vinho. Podem causar dor de cabeça, se utilizados além dos limites recomendados, ou alergias a quem é sensível ao produto. 

Em declaração publicada pela revista, a coordenadora da pesquisa, professora Angela Zinnai, do Departamento de Ciências Agrárias da universidade, afirma que a tecnologia “não altera as características do vinho, mas melhora a sua qualidade e dá espaço a outros sabores que estão encobertos, alterados ou reduzidos pela presença do dióxido de enxofre e outros aditivos”. 

Ela ressalta também que o vinho torna-se mais saudável, “por não conter aditivos químicos e por melhorar a digestibilidade das substâncias positivas" contidas na bebida.

A nova tecnologia criada pela universidade foi testada em vinificações experimentais, produzindo-se um Sangiovese em 2013 e um Viognier em 2014. No entanto, o objetivo da equipe de pesquisa é produzir vinhos em grande escala. A viabilização do projeto ocorreu graças à união de esforços de vários setores da universidade de Pisa: tecnologia de alimentos, economia agrária, engenharia civil e industrial, física e engenharia da informação. 

Na reportagem, a professora Angela Zinnai, afirma que há uma tendência estável de crescimento do setor do vinho nessa direção, “com a procura de vinhos mais saudáveis, livres de produtos químicos, mais frescos, ricos ao paladar, de qualidade, mas não a custos maiores”. Pelo contrário, diz ela, “o nosso projeto pretende oferecer, pela primeira vez, todas essas características, em um único vinho, por um custo baixo”, conclui.

Em várias partes do mundo - inclusive no Brasil - produtores utilizando métodos naturais e biodinâmicos elaboram vinhos sem sulfitos ou utilizando mínimas quantidades desse produto. Diferentemente do que pretende a técnica italiana (alta produção), até o momento, as produções de vinho sem sulfitos tem ocorrido em menor escala e, evidentemente por isso, resultando em preços mais altos. Resta aguardar para ver como evolui o método desenvolvido pela Universidade de Pisa e quando estará disponível no mercado.


15 de set de 2014

TEM VINHO FINO PREMIADO NA AGRICULTURA FAMILIAR !

Resgatando a tradição italiana na região colonial de Marques de Souza

Marciano Paludo
O trabalho de dez anos, aliando conhecimento e busca de qualidade, finalmente rendeu o fruto merecido para Marciano Paludo, pequeno produtor de vinhos e sucos do interior do município de Marques de Souza, Rio Grande do Sul. No encerramento da Expointer 2014, o seu Cabernet Sauvignon foi premiado em primeiro lugar entre os vinhos finos apresentados pelos expositores do Pavilhão da Agricultura Familiar da grande feira internacional.

Vivendo numa zona de transição cultural, em terras ocupadas primeiro por colonos alemães e depois por colonos italianos, na comunidade de Vasco Bandeira, Marciano tem sangue das duas etnias. Lembra que uma de suas avós falava alemão, italiano e português, bem integrada ao ambiente da localidade. "Hoje, praticamente não se ouve mais a língua italiana no lugar", diz ele.

Para resgatar a história da família, especialmente da "nona" Dona Cecília, que cuidava de uma pequena parreira e, ela mesma, fazia o vinho, começou a plantar uvas em 2003, com o auxílio dos irmãos. Em 2007 nasceu a Paludo Vinhas e Vinhos, quando foram elaborados os primeiros produtos. Marciano fez estudo técnico em Agropecuária, trabalhou como extensionista rural e foi buscar a formação específica em Viticultura e Enologia no Instituto Federal de Ensino Superior do Rio Grande do Sul, em Bento Gonçalves, percorrendo 200 quilômetros de casa à escola quatro dias por semana, até a colação de grau, ano passado.

No estande, o irmão
Atualmente, a família mantém cinco hectares de vinhedos, com uvas Bordô, BRS Violeta e Isabel Precoce, com as quais produz sucos e vinhos de mesa. Os planos são aumentar a área até chegar a 10 hectares. Por enquanto, Marciano compra de outros produtores as uvas para vinhos finos, que elabora em sua própria cantina, na propriedade.  O Cabernet Sauvignon premiado, da safra 2012-2013,  tem diminutas porções de uvas Ancellota e Tannat.  Marciano acredita que os cortes ajudam a equilibrar aspectos de fruta e cor do vinho. A vinificação foi no modo clássico, sem madeira, resultando num vinho leve, com 12% de álcool, jovem, perfeito, na sua opinião, para harmonizar com churrasco, carreteiro e strogonoff de carne.

Identificado com suas origens, Marciano se considera, no entanto, um novo tipo de produtor rural: habita na cidade, onde escolheu morar pela boa escola para os filhos, e peregrina diariamente para o interior do município, onde está a propriedade da família. Família cujos valores o inspiram. "Quando entrego um produto, estou entregando parte da minha história e dos meus valores. Não vendo o que eu não bebo. Esse é o grande diferencial da agricultura familiar".

Seus planos para o futuro incluem "atravessar o Mampituba", sem esquecer a máxima de um dos "nonos", que enfatizava a persistência afirmando: "devagar e sempre". Na Expointer pela segunda vez, Marciano diz que já experimentou uma ponta de orgulho nesta edição. "Vendi uma garrafa de Cabernet Sauvignon para um visitante francês que esteve no meu estande. Ele aprovou o vinho" .

Entre os avaliadores de vinhos finos do Pavilhão da Agricultura Familiar participaram especialistas da Embrapa Uva e Vinho, do Instituto Federal de Ensino Superior do Rio Grande do Sul, de Bento Gonçalves, e da Secretaria do Desenvolvimento Rural do Estado.

Pontos de venda em Porto Alegre: Maxi-Água, no bairro Cidade Baixa e Fruteira Bom Fim, na Avenida Protásio Alves. Em Lajeado, no Supermercado do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, em frente à Praça da Matriz.

15 de jun de 2014

O Vinho Tinto Oficial da Copa de Futebol no Brasil

Degustador da Revue du Vin de France comenta o vinho brasileiro símbolo da Copa Mundial de Futebol no Brasil

Elaborado com 11 varietais de uva, para representar os 11 jogadores de futebol em campo, o vinho Faces 2013 Tinto, produzido pela vinícola Lidio Carraro, de Bento Gonçalves, Rio Grande do Sul, foi escolhido pela FIFA como vinho oficial do Mundial de Futebol 2014 no Brasil.

Alexis Goujard, degustador da Revue du Vin de France, gravou um vídeo sobre o evento no Brasil, no qual comenta o Faces 2013 Tinto, parodiando a formação de uma equipe de futebol . "O ataque é um tanto franco e elegante, o meio (campo) é vivo e tônico, mas as coisas se desarranjam, no entanto, atrás, com defensores que deveriam se esforçar um pouco mais para ganhar em explosão e em energia sobre o terreno".

Ele mesmo se questiona, no vídeo, se recomendaria esse vinho durante os jogos da Copa do Mundo de Futebol. "Talvez não, mas seria um bom companheiro domingo à tarde, durante a partida França-Honduras, com uma pizza e um bom grupo de amigos", responde.

O Faces, vendido no Brasil com preços que vão de R$39,00 a R$49,90, também pode ser encontrado na rede de lojas de vinho francesa Lavinia, a 12 euros.



11 de fev de 2014

A FESTA DO VINHO BRANCO NÃO FILTRADO


Chasselas Neuchâtel Non Filtré - OVPT- Suisse
UMA NOVA TRADIÇÃO NUM PAÍS DE DOIS MIL ANOS DE VITIVINICULTURA

Como outros países europeus, a Confederação Suíça tem uma história de produção de vinho que remonta aos tempos dos romanos.

Mas no cantão (estado) de Neuchâtel surgiu uma tradição que iniciou apenas há 40 anos. A terceira quarta-feira do mês de janeiro de cada ano é esperada ansiosamente em toda região.

É o momento de lançamento do vinho branco não filtrado, o embaixador da primavera, primeiro vinho representativo da safra - o Chasselas Neuchâtel Non Filtré. (É preciso lembrar que no hemisfério norte a vindima termina por volta de outubro.)

Nesse período de janeiro, o processo de vinificação já está completo, o vinho, elaborado com a uva Chasselas, está pronto, falta apenas a filtração. Assim, ainda estão em suspensão as lias - resíduos de leveduras do processo de fermentação - que dão ao vinho um aspecto turvo.  Mas são elas que impedem a oxidação e aportam frescor e aromas de frutas exóticas, como pomelo, maracujá ou banana, tão celebrados nesses vinhos.
 
Vinhedos à beira do lago -Neuchateltourisme.ch
 A liberação das primeiras garrafas do vinho não filtrado ocorre em cerimônia no pórtico da prefeitura da capital Neuchâtel, organizada pela Organização dos Vinhos e Produtos do Terroir (OVPT), seguida de degustações públicas. Em 2014,  25% da produção do vinho de uva Chasselas - cerca de 110 mil litros - será vendida como não filtrado, sendo consumido totalmente na própria Confederação Suíça.

A tradição do vinho não filtrado teve sua origem em 1974, quando, depois de uma fraca vindima, começou uma pressão no mercado pelo vinho Chasselas, que é muito apreciado na região, por seu frescor, aromas e leveza. A situação estimulou uma vinícola da região a vender certa quantidade de vinho sem filtração e a novidade agradou os consumidores. A liberação precoce do vinho Chasselas na região foi oficializada em 1995.
Uva Chasselas

O vinhedo de Neuchâtel se estende por 30 quilômetros de encostas, diante do lago de mesmo nome e a cadeia de montanhas Jura, em altitudes que vão de 400 a 600 metros.

Os especialistas recomendam que o vinho não filtrado deve ser degustado a 6º ou 7º , acompanhando bem aperitivos e  queijos. Afirma-se que pode ser guardado por dois, três anos e alguns dizem que no final estará ainda muito melhor.

Tradições normalmente são resultado de costumes antigos, históricos, repetidos dentro de um grupo social, como podem ser criadas, como se vê, por situações fortuitas, como a que se descreve acima. A incorporação de novas "tradições" diferencia uma região e lhe confere atrativos turísticos, essenciais no caso da atividade econômica vitivinícola.

13 de jan de 2014

NA TERRA DO VINHO... A BIRRA BIONDA

UMA CERVEJA ARTESANAL COM RECEITA TIPICAMENTE ITALIANA

No porão, não se fazia somente vinho, mas também uma boa e encorpada cerveja!

Foi o que Maicon Riva, tataraneto de imigrantes italianos estabelecidos em Pinto Bandeira, no Rio Grande do Sul, descobriu quando iniciou a pesquisa para documentar suas origens, a fim de obter a dupla cidadania.

Seu tataravô, Giovanni Luigi Riva, que imigrou para a localidade de  Linha Jansen (Pinto Bandeira) em 1872,  era filho de um cervejeiro de Belluno, no Vêneto. Documentos localizados na Itália, provam que Antonio Riva, pai de Giovanni, elaborava cerveja em escala artesanal em 1867. E mais, num caderno  datado de 1884, quando já estava no Brasil, Giovanni Luigi Riva registrou várias receitas de cerveja, entre as quais a que era feita na época, na Itália.

Uma bebida que, em razão das dificuldades em se conseguir matéria prima, levava maior proporção de lúpulo e pouca cevada. Era  cerveja forte, fermentada originalmente em barricas de madeira, com baixa graduação alcoólica,  típica das regiões mais frias.

Maicon Riva, que já era apaixonado por cerveja e fazia a bebida em escala mínima, para consumo entre amigos, decidiu resgatar a receita do tataravô e investir na produção como negócio.  Tinha se habilitado como barman e foi buscar a formação em mestre cervejeiro, em curso de Santa Cruz do Sul. Experiência comercial não faltava, tocando a lancheria da família, único local onde se pode almoçar (até às 13 horas), no centro de Pinto Bandeira, atualmente.

A receita do tataravô virou um ícone. É a cerveja Riva Bionda,  produzida somente no começo do inverno, sob encomenda. Maicon diz que faz cerca de 600 garrafas, todas com destino certo.

Também sazonal é Riva Bock , produzida anualmente, mas comercializada apenas durante o outono-inverno, que acompanha a gastronomia das comidas fortes das épocas frias.

Além dessas, o portfólio da microempresa inclui os tipos Pilsen, Malzbier Especial, Wisenbier e Imperial Stout, esta última elaborada com cinco diferentes tipos de malte, três variedades de lúpulo e mais alto teor alcoólico.   As cervejas podem ser encontradas em garrafas long neck, de 500 ml e de litro.

Una birra, per favore! As cervejas long neck Pilsen podem ser degustadas na lancheria Riva a R$3,00 e as garrafas de litro a R$8,00. Em Bento Gonçalves são encontradas nos seguintes locais: restaurantes De Villa e Basilico Casa Gourmet e no Armazém das Conservas. Em Porto Alegre, na Cervejaria Seasons, à rua Angelo Dourado, 185, Bairro Anchieta, que também as distribui para outros estabelecimentos. A bebida também já chegou na A Queijaria, Vila Madalena, em São Paulo.

29 de nov de 2013

PINOT E COZINHA ÁRABE


Uma experiência agradável com comida e vinho a preços acessíveis

O local do jantar não estava bem definido. A idéia era ir a uma pizzaria diferenciada, mas no meio do caminho surgiu a sugestão de um restaurante que teve seu ambiente reformado, já há alguns anos, mas que nunca mais visitara desde então.

Casa de comida árabe! Era cedo, mas havia apenas uma mesa disponível. Já entrei conformada em acompanhar a comida com alguma cerveja artesanal, porém ao abrir a carta de bebidas, lá estava um interessante vinho tinto leve nacional de qualidade, acrescido de apenas 30% do preço de venda em supermercado/loja. Inacreditável!

Escolhidos os pratos,  o imperativo foi arriscar na bebida. Que venha o Pinot Noir Pinto Bandeira Aurora 2012, com selo de Indicação de Procedência,  para fazer companhia ao Risoto árabe e ao Chanclixi à moda, acompanhado de pães árabes, azeite de oliva e molho de alho!


E não é que o Pinot Noir Pinto Bandeira Aurora deu conta dos sabores fortes da comida, combinando perfeitamente com a acidez do queijo árabe dissolvido na salada Chanclixi, de cebola, tomate e ervas, e com o suave risoto de carne e salsa, mais os pães com azeite e uma pitada de molho de alho?

Com o espírito e o estômago reconfortados pela singela experiência, saí acreditando que é possível encontrar locais onde se combinam preços acessíveis, comida boa e vinho.

E sejam louvados Al Nur restaurante árabe e Sommelier Vinhos, responsável pela carta de vinhos da casa, por oferecerem o Pinot Noir Pinto Bandeira Aurora a corretos R$42,90 a garrafa, o mesmo vinho que é encontrado a R$34,90 em um tradicional supermercado de classe média-alta de Porto Alegre. Convenhamos, uma diferença mínima, diante de margens de preços para vinhos que costumam passar de 150%  em outros restaurantes, tomando por base a oferta do mesmo produto no varejo.

E ainda,  vinho acrescido do selo de Indicação de Procedência de Pinto Bandeira, uma garantia de qualidade do produto. Só podem usar o selo os vinhos produzidos conforme os exigentes requerimentos estabelecidos pelo conselho regulador da associação de vitivinicultores, representando as melhores características da região produtora.

Mas nunca esquecer que toda experiência com vinho é algo único, dependente do estado de espírito, do lugar, da companhia.  Miguel Brascó, do Anuário Brascó-Portelli de Vinhos Argentinos, já  apontou. Beber vinho é uma experiência subjetiva, não há regras, nem receitas. O vinho eleva uma refeição, é bebida de convívio, de boa companhia. “ Não são vinhos, são garrafas. Não são garrafas, são taças. Não são taças, são situações. Não são situações...são companhias...", diz ele em seus mandamentos do vinho.


13 de jul de 2013

A BATALHA DO VINHO NOS SUPERMERCADOS

SOBRE A VENDA DE VINHOS PREMIUM NO VAREJO
 
Os negócios do vinho se intensificam sensivelmente no inverno, no Brasil. Indústria nacional e produtos estrangeiros disputam nesta estação climática um mercado interno cada vez mais interessado na bebida. Novos rótulos, promoções, jantares degustação, provas de vinhos em eventos abertos ao público, novas lojas, tudo movimenta o setor. É a época por excelência do vinho tinto, consumo estimulado especialmente pelo frio, no sudeste e sul do país.

Nos supermercados de Porto Alegre, desde o início do ano, a indústria nacional ampliou a oferta de produtos nacionais na faixa de preço de R$26,00 a 34,00. No mercado internacional de vinhos, garrafas nessa faixa de preço (entre 13 a 17 dólares ao consumidor) correspondem a segmentos médios/altos de preço e de atribuição de qualidade, chamados Premium. Os preços adotados pelo setor nacional correspondiam aos de uma já conhecida linha Reserva de importados (especialmente do Chile e Argentina) dominante há mais tempo nas grandes redes de distribuição (Casillero del Diablo, Santa Carolina, Santa Helena, Tarapacá, Senetiner, Bianchi, etc). 

Até maio, a indústria nacional ia tocando as suas novidades com certa desenvoltura. No entanto, entre junho e julho, as prateleiras do setor de vinhos em uma tradicional rede regional de super e hipermercados voltadas às classes médias-altas, coalharam-se de ofertas de rótulos argentinos e chilenos a preços incrivelmente atraentes. Entre eles, os de uma linha básica de varietais da tradicional e famosa Casa Silva, do Chile, importada diretamente pelo estabelecimento, oferecida a R$24,60 a garrafa.

De imediato, revelou-se evidente a preferência dos consumidores aos estoques de estrangeiros, até porque, de repente, os nacionais da mesma faixa estavam mais caros. Alguns destes reagiram com baixas de R$1,00 a R$2,00, mas um frenesi se instalou com a chegada do rótulo Nostro da vinícola chilena Indomita, a incríveis R$15,90 o Gran Reserva e R$14,90 o Reserva, um preço inusitadamente baixo para essas duas categorias, levando em conta os requerimentos que a legislação chilena faz em relação a elas.

OS PREMIUM NACIONAIS

Entre o final de 2012 e o início de 2013, simultaneamente, duas das quatro maiores indústrias de vinho brasileiro colocaram nos supermercados novos produtos a preços entre R$26,00 a 34,00.


Pela Cooperativa Vinícola Aurora renovou-se a linha “Aurora Reserva” (Chardonnay, Merlot, Cabernet Sauvignon, com passagem em barrica de carvalho declarada no contrarrótulo, na faixa de R$27-28); e surgiu a linha “Aurora – Pinto Bandeira Indicação de Procedência” (Pinot Noir e Chardonnay, cerca de R$33-34).

A Vinícola Salton, lançou a linha “Salton Intenso Reserva Privada” (Cabernet Sauvignon, Merlot e Viognier-Sauvignon Blanc, na faixa de R$28-29), substituindo a linha Volpi, pelo menos nos supermercados.


Em 2012, a Vinícola Perini introduziu o “Perini Fração Única” (Cabernet Sauvignon, Merlot e Chardonnay, na faixa R$29-30). E há alguns anos, a Vinícola Miolo, já oferecia o “Reserva Miolo”, na faixa de R$26 – 27. Também há algum tempo, a Vinícola Boscato vem comercializando o seu “Boscato Reserva” a R$28-30. Outras produtoras, algumas de pequeno porte ou grandes, também introduziram vinhos isolados, nessa faixa de preço ou até em patamares mais elevados, como o Valduga Signature (R$34-35) e Boscato 2007 (R$39-40).

CONCORRENTES DIRETOS

Nessa faixa de preços, apareciam como concorrentes estrangeiros diretos Altos del Plata ( R$35-36); Trapiche Roble (R$35-36); Casillero del Diablo Reserva (R$29);Viu Manent Reserva (R$37-38), Nieto Senetiner Reserva (R$27-28); Latitud 33 (R$29-30); Septima (R$30); Santa Helena Reserva (R$30), entre outros.

A competição acirrou-se recentemente, pois os próprios supermercados aumentaram a importação direta. Além disso, o consumidor viu-se diante de novas opções de escolha. Às tradicionais marcas chilenas e argentinas juntaram-se etiquetas norte-americanas, alemãs, francesas e australianas - com preços semelhantes ou superiores à linha nacional Premium.


A batalha dos supermercados não é irrelevante. Atualmente 60% das vendas de vinho nos maiores países consumidores ocorrem nos canais de venda liderados por super e hipermercados, segundo uma pesquisa da agência Wine Intelligence, revelada na Winexpo – a maior feira de vinhos do mundo – encerrada em junho, na França. A pesquisa, citada pela publicação britânica The Appointment mostra ainda queda no consumo de vinho em bares e restaurantes, enquanto aumentam as vendas também em lojas especializadas e na internet. Foram avaliadas as tendências nos cinco maiores mercados de vinho do mundo (Estados Unidos, Inglaterra, Alemanha, França e China) entre 2007-2011 e indicadas as tendência para os próximos anos, até 2020.

SEGMENTAÇÃO DO MERCADO DE VINHOS

Desde 2002, o mercado internacional de vinhos - norte-americano e continental europeu, especialmente - guia-se por uma classificação de qualidade, cujo critério é o preço atribuído à garrafa à venda no varejo.
Essa classificação, resultante de um estudo da consultora Ernest e Young, difundida pelo banco de fomento Rabobank International e adotada pela agência norte-americana Wine Institute, estabeleceu patamares, em que o maior volume de produção corresponde ao menor preço.
Segmento
Varejo
ICONE
> 50
ULTRAPREMIUM
14-49
SUPERPREMIUM
8-13
PREMIUM
5-7
POPULAR PREMIUM
3-5
BÁSICO
< 3
Levando em conta essa classificação, os vinhos nacionais na faixa de R$26 a R$34, estariam posicionados no segmento de preços Superpremium internacional. Resta saber se os vinhos brasileiros - no mercado internacional - correspondem a essa mesma segmentação. A mesma questão se aplica aos vinhos argentinos e chilenos aqui comercializados. A escala do Rabobank tem sido adaptada regionalmente com referência ao dólar e outras moedas.

12 de fev de 2013

BRANCO E TINTO

VINHOS DE PERSONALIDADE EM DUAS PROPOSTAS 
A PREÇOS ACESSÍVEIS


Riesling Renano  2012- Weingut Weinzierle    A pequena vinícola situada no interior de Nova Petrópolis, Serra Gaúcha, Rio Grande do Sul, já está vendendo a safra 2012 do vinho fino Riesling Renano produzido no país conforme os cânones alemães. 

O proprietário, Rolf Weinzierle, veio ao Brasil em novembro para acompanhar o engarrafamento, devendo permanecer na região até o fim de março do corrente ano. Para a vedação das 20 mil garrafas produzidas, Rolf importou da Alemanha um novo tipo de tampa-rosca, que considerou mais adequado para manter a tipicidade e qualidade do vinho Riesling Renano aqui elaborado.

A safra 2012 resultou num vinho de admirável frescor,  mais intenso na tradicional cor amarela com reflexos esverdeados, e aroma de frutas cítricas puxando a lima e limão.  A vinificação preservou cinco gramas de açúcar residual no tipo seco e permitiu 18 gramas no tipo meio-seco. Conforme a sugestão do contra-rótulo, vinhos ideais para acompanhar antepastos leves, peixes, saladas e queijos suaves. Teor alcóolico: 12% vol.

A vinícola centraliza suas vendas em Nova Petrópolis e atende pedidos pela internet.
Onde comprar:  Pub Miss Gayah - Av. 15 de Novembro, 1802 - Fone: (54) 3281- 4177 e Pousada Vila Rica, Av. 15 de Novembro, nº 2470 - Nova Petrópolis, RS, Brasil.


Preço médio: R$20,00


Merlot 2011 -  Valmarino  Vinho fino tinto seco com o selo de Indicação de Procedência (IP) produzido pela Vinícola Valmarino, no município de Pinto Bandeira, Serra Gaúcha, no Rio Grande do Sul. 

A Indicação de Procedência Pinto Bandeira foi conquistada em 2010, pela Associação de Produtores de Vinho de Pinto Bandeira - Asprovinho. As vinícolas filiadas seguem protocolos de produção específicos para garantir altos padrões determinados.

Fundada pela família, em 1997, a Valmarino conquistou um espaço importante entre os produtores de vinho de qualidade do Rio Grande do Sul, graças à filosofia de trabalho de Marco Antônio Salton, responsável técnico nos âmbitos vinhedo e vinificação, que sempre buscou elaborar um vinho o mais natural possível, expressando o terroir do local. 

 Valmarino revelou-se uma vinícola referência quando se fala em espumantes e vinhos Cabernet Franc, Merlot e Cabernet Sauvignon de alta linha, com inúmeros reconhecimentos e premiações. 

O Merlot 2011 Valmarino IP é um vinho da linha média que não faz concessões ao estilo adocicado de inúmeros outros produtos regionais dessa gama. 

Tem aroma frutado delicado, cor rubi intensa e boa acidez. Vinho jovem, os taninos ainda muito marcantes, mas já próprio para acompanhar uma refeição com sabores mais intensos. 

Como indica o contra-rótulo,vai ganhar com o envelhecimento. Teor Alcóolico de 12,5% vol.
Onde comprar: lojas de vinho e na vinícola.
Página na internet: www.valmarino.com.br
Atendimento ao consumidor: (54) 3452-2135
Preço na vinícola: R$25,00

28 de dez de 2012

AFINAL, UM VINHO AUTÊNTICO O QUE É ?



As expressões "vinho autêntico" e "vinho natural" permeiam milhares de comentários, opiniões e material de publicidade, tentando traduzir, às vezes sem muito fundamento, qualidades que aportariam dignidade à bebida resultante de uvas fermentadas.

Buscando dar significados a esses termos, dois escritores britânicos publicaram em 2011 um extenso estudo sobre o tema. 

Nas 259 páginas do livro  "Authentic Wine - Toward Natural and Sustainable Winemaking", Jamie Goode, jornalista científico e comentarista de vinho em publicações inglesas, e Sam Harrop, Master of Wine, produtor de vinho e consultor independente em enologia, em países como Nova Zelândia, França, Inglaterra e Portugal, aprofundaram questões em torno do assunto.

Para Goode e Harrop, os elementos que referendariam um vinho "autêntico", são os seguintes, em resumo:
 
Viticultura sustentável. O vinhedo é encarado como um agroecosistema, favorecendo microorganismos, insetos e plantas que mantenham a saúde do solo; utilizando espaçamento e sistemas de condução apropriados, permitindo que o vinhedo alcance um equilíbrio natural.  


Maturação apropriada. Colheita na hora certa, para reter o frescor e a definição das uvas e evitar altos potenciais de álcool. 

Sensibilidade ambiental.Minimização da "pegada de carbono" (medida de impacto das atividades humanas quanto à emissão de gases de efeito estufa) em todos os estágios de produção, da uva à prateleira.


Produto livre de defeitos. Vigilância para prevenir defeitos do vinho que obscureçam e prejudiquem o sentido de lugar da produção.

Senso de lugar. Respeito ao "terroir", ou seja, atenção e escuta ao lugar do vinhedo, permitindo que se expresse no vinho.



Elaboração natural. Adições e manipulações mínimas,  com o objetivo de manter o sentido de lugar de produção do vinho.

Considerando esses fatores, apenas uma pequena gama de vinhos entraria no conceito de "vinho autêntico" de Goode e Harrop. Em realidade, a maioria dos vinhos são vinhos-commodities - como um produto agroindustrial qualquer - respondendo a demandas de um grande mercado consumidor, nacional e internacional.

A abordagem sustentável e mais natural, representada por umas poucas vinícolas, tende a quebrar a homogeneização e brindar vinhos com definição, complexidade e senso de pertencimento a um lugar. Porém, por enquanto, para um mercado muito restrito.

30 de nov de 2012

CRESCE A LINHA DE VINHOS VARIETAIS A PREÇOS POPULARES

INDÚSTRIA VAI EM BUSCA DO CONSUMIDOR DE R$12,00

Depois de provar aos consumidores exigentes, à mídia especializada, e à alta gastronomia que "sabe" fazer bons (...mas caros...) vinhos, a indústria vinícola brasileira volta-se também para o consumidor comum interessado em vinho. Aquele que estava acostumado à bebida barata de uvas americanas nacional e a vinhos argentinos de custo irrisório e de elaboração duvidosa  -  ou por tradição, ou porque os varietais brasileiros estavam fora do alcance do seu bolso.


Necessidade de escoar os estoques,  caça aos novos consumidores,  fazer frente à concorrência de vinhos básicos argentinos e chilenos, a verdade é que,  desde o início de 2012, a indústria engordou a linha de vinhos varietais na faixa de R$12,00, antes reduzida à produção de umas poucas vinícolas. Os rótulos tem preços que variam entre R$8,50 a R$13,90. O resultado dessa oferta é perceptível  nas gôndolas dos supermercados e não se resume apenas a vinhos tranquilos.

Cresceu também o número de marcas de espumantes e vinhos frisantes nessa média de preço. Neste inverno, numa filial de uma grande rede de supermercados de Porto Alegre destinada a consumidores de classe A/B, mas frequentada crescentemente pela nova classe C, a área destinada a vinhos nacionais já era equivalente a de vinhos estrangeiros, tantas as novas opções inseridas nas gôndolas. Isso muito antes de encerrada a querela das salvaguardas aos vinhos nacionais, que culminou em acordo pelo apoio do varejo à maior exposição da produção nacional nas prateleiras...


Em geral, são vinhos simples, com alguma intensidade de aroma e sabor, a maioria corretamente elaborados, predominando um leque de varietais mais conhecidos, entre os quais Cabernet Sauvignon, Merlot, Chardonnay e Riesling.  

A novidade são os varietais tinto "doce", algo impensável até pouco tempo, quando o que fugia do "seco", apenas alcançava o "meio-seco", em se falando de varietais. O que se percebe é que aumenta a concessão que se faz ao gosto pelo adocicado da população brasileira, algo que, não entanto, não é apenas fenômeno nacional, mas corrente nos Estados Unidos e outros países. Daí, que até os "secos" estão no limite do que se pode enquadrar como tal, com paladar adocicado desde o início. Mas isso não é privilégio da linha de entrada de vinhos. Inclusive vinhos "premium" nacionais estão se enquadrando nessa tendência.


Dentre rótulos encontrados na faixa dos R$12,00 encontra-se inclusive um vinho premiado com medalha de ouro no VI Concurso Internacional de Vinhos do Brasil, realizado pela Associação Brasileira de Enologia, com jurados internacionais, em julho último, em Bento Gonçalves. É o Cabernet Sauvignon Virtus 2011 Monte Paschoal, seco.  Mas ainda há muitas opções de vinhos engarrafados, elaborados com uvas americanas, a preços mais baixos  (de R$6,00 a R$9,00), sinal de que esse segmento continua tendo importância econômica para a indústria.


Rótulos de varietais a preços populares encontrados em supermercado de Porto Alegre - vinhos tranquilos:
  • Almadén (Miolo Wines)- Cabernet Sauvignon (seco e suave),Shiraz,Tannat,Merlot, Riesling.
  • Arbo (Perini) - Cabernet Sauvignon, Moscato, Merlot, Riesling, assemblage Cabernet Sauvignon/Merlot
  • Santa Colina (Coop. Nova Aliança) - Cabernet Sauvignon, Merlot, Chardonnay, Pinot Noir, Riesling
  • Classic (Salton) - Tannat, Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Chardonnay, Riesling
  • Marcus James (Coop.Aurora) - Cabernet Sauvignon,Tannat, Pinot Noir, Riesling, Sauvignon Blanc, Chardonnay
  • Granja União (Coop. Garibaldi) - Cabernet Sauvignon, Merlot, Cabernet Franc (suave), Riesling, Malvasia (suave)
  • Gran Legado - Merlot, Cabernet Sauvignon, Chardonnay
  • Virtus Monte Pascoal (Vinhos Basso) - Cabernet Sauvignon (seco e suave), Merlot, Chardonnay, Moscato, Tannat, Merlot Rosé
  • Vale da Ferradura (Marson) - Cabernet Sauvignon, Merlot, Chardonnay
  • Clos de Nobles (Coop. Aurora) - Cabernet Franc, Tannat, Riesling
  • Aquasantiera (Coop. Garibaldi) - assemblages Tannat/Merlot/Cabernet Sauvignon e Moscato/Riesling/Trebiano
  • Saint Germain (Coop. Aurora) - Merlot (meio-seco), Cabernet Franc (suave), assemblage Cabernet Franc/Merlot, assemblage Moscato/Trebiano
  • Serra Nevada (Salton) - Cabernet Franc (meio-seco), Cabernet Sauvignon, Merlot 
  • Conde de Foucauld (Coop. Aurora) - Cabernet Franc
  • Jota Pe Varietal (Perini) - Moscato 

12 de out de 2012

AVALIAÇÃO INDICA TENDÊNCIAS PARA OS VINHOS DA COPA

O conjunto de vinhos apresentados ao público na  20ª Avaliação Nacional de Vinhos - Safra 2012, em 29 de setembro, em Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul, pode indicar como serão os melhores vinhos a serem oferecidos aos brasileiros e visitantes na Copa Mundial de Futebol, no Brasil, em 2014. A observação é de Cristian Bernardi, presidente da Associação Brasileira de Enologia, entidade organizadora do evento. A maioria das amostras destacadas na Avaliação ainda encontra-se em maturação, em tanques ou barricas, devendo entrar no mercado ao longo de 2013 ou 2014, o ano do campeonato.

Entre os 16 mais representativos da safra 2012, estão vinhos brancos agradáveis, frutados e florais;  vinhos tintos de cor rubi intenso, vermelhos e violáceos, de taninos médios, macios, com aromas de frutas negras, compotas e especiarias; e vinhos base que prometem espumantes de cor brilhante, aromas delicados e bom frescor.  As 16 amostras selecionadas indicam que a vitivinicultura nacional está correspondendo às tendências de produção internacional, com a criação de produtos que, enologicamente, observam as novas tecnologias e os padrões de consumo global.

MAIS COR, TANINOS E ÁLCOOL
Tradicional, a presença de carvalho foi registrada em vários tintos, com declarada passagem por barrica, e em branco seco não aromático, já engarrafado. Entre os tintos, o destaque foi a alta intensidade de cor e qualidade dos taninos, denotando uvas de excelente maturação e potencial alcóolico, identificando-se, em alguns, estatura de vinhos de guarda. A maioria das amostras de vinhos finos superou os 13% de volume de álcool e alguns passaram de 14%.

Na seleção da safra 2012, entre os brancos, salientaram-se vinhos da uva Chardonnay , e entre os tintos, as variedades que entregam grande coloração, como Tannat,  Teroldego, Marselan, além do Cabernet Sauvignon. O Merlot, que se acredita vinho ícone da Serra Gaúcha, teve apenas uma amostra destacada.

REGIÃO NOVA
Por origem, entre os 16 vinhos da seleção há pelo menos um de uma nova região produtora do Rio Grande do Sul (Região do Alto Uruguai), representada pelo Tannat, de Antonio Dias Vinhos Finos, estabelecimento localizado em Três Palmeiras, no noroeste do Rio Grande do Sul. A Região da Serra Gaúcha arrebatou a maioria dos destaques, mas vinícolas da Região da Campanha, como Guatambu Estância do Vinho e Vinícola Almadén emplacaram uma amostra de Cabernet Sauvignon e de Tannat, respectivamente.

Selecionado na categoria vinho tinto fino seco jovem, está engarrafado e pode ser encontrado no mercado o Gamay 2012, com 11,49% de volume de álcool, da Vinícola Salton. Nesta edição, foram inscritas 387 amostras, de 70 empresas vinícolas. De cada categoria, selecionaram-se 30% de vinhos e, dentre esses, sairam os 16 vinhos mais representativos da safra 2012. A seleção dos vinhos ocorreu em agosto, com a participação de 120 enólogos experientes, que realizaram seu trabalho em 16 sessões. O público presente ao evento do dia 29 de setembro chegou a 850 pessoas.


VINHOS SELECIONADOS DA SAFRA 2012

EMPRESA
VARIEDADE
CATEGORIA
Antonio Dias Vinhos Finos Ltda
Tannat
Vinho fino tinto seco
Basso Vinhos e Espumante Ltda
Chardonnay
Vinho branco fino seco não aromático
Casa Valduga Vinhos Finos Ltda
Marselan
Vinho fino tinto seco
Cooperativa Vinícola Aurora
Cabernet Sauvignon
Vinho fino tinto seco
Cooperativa Vinícola Nova Aliança Ltda
Chardonnay
Vinho branco fino seco não aromático
Domno do Brasil Ind. Com. Bebidas Ltda
Chardonnay
Vinho base para espumante
Don Guerino
Teroldego
Vinho fino tinto seco
Guatambu Estância do Vinho
Cabernet Sauvignon
Vinho fino tinto seco
Luiz Argenta Vinhos Finos Ltda
Chardonnay
Vinho branco fino seco não aromático
Vinícola Almadén Ltda
Tannat
Vinho fino tinto seco
Vinícola Alma Única
Merlot
Vinho fino tinto seco
Vinícola Geisse Ltda
Chardonnay/Pinot Noir
Vinho base para espumante
Vinícola Góes & Venturini Ltda
Chardonnay
Vinho branco fino seco não aromático
Vinícola Miolo Ltda
Chardonnay/Pinot Noir
Vinho base para espumante
Vinícola Perini Ltda
Moscato Bianco
Vinho branco seco aromático
Vinícola Salton  S.A.
Gamay
Vinho tinto seco fino jovem