28 de set de 2011

REVELADOS OS 16 VINHOS MAIS REPRESENTATIVOS DA SAFRA 2011

UM EVENTO PARA ENTRAR NO GUINESS BOOK
A 19ª Avaliação Nacional de Vinhos - Edição 2011, realizada sábado último em Bento Gonçalves, RS, foi mais do que a revelação dos 16 vinhos finos representativos da safra 2011 no Brasil.

O público presente transformou-a no maior evento de degustação coletiva de que se tem notícia no mundo, com 820 participantes de todos os pontos do Brasil e de vários países estrangeiros.

Para o comentarista italiano Roberto Rabachino, da Federação de Sommelier Fisar Internacional, o evento deveria ser inscrito no Guiness Book, pela sua singularidade.

Nesta edição dominaram os vinhos do Rio Grande do Sul, a maior região produtora do país, em todas as seis categorias do certame.

Entre as surpresas do ano, estão um vinho tinto de uvas Tannat, da Região da Campanha,  um  Sirah e dois Merlot, da Serra Gaúcha, além de um Chardonnay e um Moscato Giallo, também da Serra Gaúcha, que receberam as maiores notas dos comentaristas, todas acima de 90 pontos.

Para os degustadores convidados, representando enólogos, sommeliers, jornalistas e enófilos, foi unânime a impressão sobre a alta qualidade das amostras que compuseram os 16 vinhos selecionados e a opinião de que a produção nacional de vinhos "está no bom caminho".

Mostrando a crescente tecnificação da enologia brasileira, todos os 16 vinhos do painel indicaram a utilização de leveduras selecionadas, para extração das melhores características do varietal. Entre os vinhos brancos, o grau alcóolico médio ficou em torno de 12º GL, o que indica a evolução para a produção de vinhos leves e frutados, próprios para o consumo em regiões tropicais, como é caso do Brasil. O Chardonnay da Vinícola Don Gionanni, fermentado em barrica, obteve a nota mais alta dentre os degustadores comentaristas, na categoria vinho branco seco não aromático.

Entre os vinhos tintos, o grau alcóolico médio ficou em torno de 13,1º GL, excetuando-se um Tannat da Região da Campanha (Seival Estate), fruto de dois processos separados de maceração, que alcançou 14º GL, e um Cabernet Sauvignon de vinícola da região dos Campos de Cima da Serra (Rasip), com 14,2º GL. Os três vinhos Merlot incluídos no painel receberam muitos elogios, indicando uma tendência de preferência para o mercado. Os aromas de passagem por madeira se mostraram discretos, talvez porque são vinhos da safra, aguardando o tempo pretendido para maturação.

Um fato inusitado, foi a amostra de um vinho tinto ter apresentado fortes sinais de redução, indicando-se urgente oxigenação, situação referida pela enóloga comentarista uruguaia Estela de Fructos, que, no entanto, identificou na amostra qualidades superiores de coloração, estrutura e paladar (Tannat, Vinícola Gheller).

Para as próximas avaliações, é imperativo considerar que as vinícolas passem a indicar a região donde procedem as uvas que resultaram nos vinhos submetidos ao certame.

Atualmente, apenas as regiões de Indicação Geográfica definida (Vale dos Vinhedos e Pinto Bandeira), que utilizam o selo IG estão adstritas à utilização de uvas do seu território. Muitas vinícolas, embora situadas na Serra Gaúcha, estão vinificando uvas trazidas da Serra do Sudeste e da Campanha, onde se espalha a produção de uvas velozmente.

Por uma questão de transparência e reconhecimento, o ideal seria que a origem dos varietais fosse informada, pois ajudaria a assentar indicadores de qualidade e valorização para todo o estado do Rio Grande do Sul.

UMA SELEÇÃO SINGULAR

 A Avaliação Nacional de Vinhos, promovida pela Associação Brasileira de Enologia, tem um caráter de ineditismo. Das 383 amostras de vinhos submetidas por 72 empresas vinícolas dos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Minas Gerais e Bahia, foram selecionadas 30 e depois 16, observando critérios de qualidade (aspecto, olfato, paladar) preconizados pela Organização Internacional do Vinho (OIV) e  União Internacional dos Enólogos.

Ocorreram 16 sessões de análise, às cegas (apenas era informada a categoria do vinho), em instalações especializadas da Embrapa, empregando 113 enólogos profissionais de várias empresas, divididos em quatro grupos, entre os dias 5 a 26 de agosto.
No dia do evento foram apresentadas à mesa de comentaristas convidados e ao público presente as amostras enumeradas de 1 a 16. Sem saber da procedência do vinho, ou das notas que recebeu na seleção dos enólogos profissionais, cabia a cada degustador comentarista manifestar a sua análise.



O processo era acompanhado pelo público inscrito, que recebeu fichas e taças, para também fazer a sua avaliação. Ao fim de alguns minutos, o comentarista apresentava suas considerações e nota, que o participante podia cotejar com a nota da seleção dos enólogos profissionais, com a média dos outros comentaristas e com as suas próprias. Apenas ao final de todo o processo revelou-se o nome das 16 vinícolas selecionadas no painel,  quebrando-se aí o clima de suspense e abrindo-se espaço às comemorações.


Nesse tipo de degustação, para evitar que o participante perca a capacidade de análise, o vinho experimentado deve ser cuspido em recipiente apropriado disposto junto às mesas. Algo duro de se fazer, para quem não é profissional, diante da tentação representada pela qualidade de praticamente todos os vinhos apresentados...

É preciso dizer que todas as amostras do painel são de vinhos que ainda encontram-se em tanques ou barricas nas vinícolas, aguardando a maturidade ou o momento mais adequado para o engarrafamento. Apenas o Moscato Giallo, da Vinícola Don Guerino já encontra-se em garrafa e sendo comercializado.


Painel dos 16 vinhos mais representativos da safra 2011

CATEGORIA VINHO BASE PARA ESPUMANTE
1 - Chardonnay
Domno do Brasil (Garibaldi, RS    )
2 - Chardonnay
Casa Valduga (Bento Gonçalves, RS)
CATEGORIA BRANCO FINO SECO NÃO AROMÁTICO
3 - Riesling Itálico
Cooperativa Vinícola Aurora (Bento Gonçalves, RS)
4 - Chardonnay
Cooperativa Vinícola Nova Aliança (Caxias do Sul, RS)
5 - Chardonnay
Vinícola Góes & Venturini (Flores da Cunha, RS)
6 - Chardonnay
Vinícola Don Giovanni (Bento Gonçalves, RS)
CATEGORIA BRANCO FINO SECO AROMÁTICO
7 - Moscato R2
Vinícola Perini (Farroupilha, RS)
8 - Moscatto Giallo
Vinícola Don Guerino (Alto Feliz, RS)
CATEGORIA ROSÉ SECO
9 - Rosé (Cabernet Sauvignon)
Vinícola Almadén (Santana do Livramento,RS)
CATEGORIA TINTO FINO SECO JOVEM
10 - Merlot
Vinhos Salton (Bento Gonçalves, RS)
CATEGORIA TINTO FINO SECO
11 - Merlot
Basso Vinhos e Espumantes (Flores da Cunha,RS)
12 - Merlot
Luiz Argenta Vinhos Finos (Flores da Cunha,RS)
13 - Cabernet Sauvignon
Rasip Agropastoril (Vacaria, RS)
14 –Syrah
Vinícola Almaúnica (Bento Gonçalves, RS)
15 - Tannat
Vinícola Gheller (Guaporé,RS)
16 - Tannat
Seival Estate (Candiota, RS)

Um comentário:

Helena disse...

Esse evento destaca ainda mais a profissionalização da produção de vinhos no Brasil. Espero que com o tempo, seja mais reconhecido também no exterior!