31 de jan de 2011

VINHOS BIOLÓGICOS SÃO A NOVA TENDÊNCIA NA EUROPA


Já não dá mais para dizer que é apenas um modismo. Os produtores de vinhos bio aumentam a cada ano na Europa. Há poucos dias em Montepellier, no sul da França, realizou-se uma das mais importantes feiras de vinhos bio européia, a Millésime Bio 2011, de 24 a 26 de janeiro. Participaram 560 expositores vindos da França e de 14 outros países, entre eles, Argentina e Polônia. A feira tem caráter profissional, é destinada a negócios, e neste ano atraiu muitos interessados de países asiáticos, entre os mais de quatro mil visitantes.

Na União Européia, a Itália é a maior produtora de vinhos bio, com 40,4%, seguida da França, com 34,8% e da Espanha com 18,9%, segundo as informações da asssociação interprofissional francesa de vinhos biológicos.


Na França, os vinhedos bio representam 6,2% da superfície total plantada de uvas, ou seja 52 mil hectares (só para comparar, a área total da viticultura no Brasil, atinge cerca de 77 mil hectares, segundo o Ibravin). As áreas em  "bio" aumentaram 20% em 2007,  25% em 2008 e 52% en 2009. A Associação Vinhateiros Independentes da França, com 6 mil filiados já tem 1300 certificados bio ou em conversão e calcula que 15% dos viticultores "não bio" desejam converter sua produção para o sistema  até 2013.

Na Europa, quando se diz vinho bio, está se falando de "vinho originário de uvas da agricultura biológica", porque, por enquanto, a legislação do setor abrange unicamente o modo de produção da uva. Os produtores estão se mobilizando para apresentar uma proposta de regulamentação da vinificação bio à Comissão Européia até o final do ano.

Para ser considerado produtor de vinho bio, e usar o logo "AB" na etiqueta, o viticultor precisa:
  • - notificar sua atividade ao poder público (Agência Bio);
  • - cultivar as uvas sem produtos químicos de síntese (adubos, pesticidas);
  • - aplicar as regras da agricultura biológica por no mínimo três anos, antes de poder usar na etiqueta a menção "vinho originário de uvas da agricultura biológica";
  • - ser certificado por um organismo credenciado (uma visita obrigatória e uma incerta).
O mercado de vinhos desse tipo movimenta 254 milhões de euros, tendo aumentado 34% em três anos. Vai para exportação 70% da produção.

Na América do Sul, Argentina e Chile tem vinícolas de renome voltadas à produção de vinhos finos biológicos. No Brasil praticamente não existe.

    Um comentário:

    Helena disse...

    Conheci na França uma propriedade Bio e percebi que essa tendência não é só a maneira de tratar a uva, mas uma relação diferente com a terra, com a natureza e com as pessoas. Espero que o Brasil não demore a entrar nessa "onda".

    Ótimo texto!