25 de fev de 2011

OZ CLARKE , FAMOSO CRÍTICO DE VINHOS BRITÂNICO, BEBEU VINHOS DE UVAS BORDÔ E ISABEL E NÃO TORCEU A CARA!

É preciso que venha alguém com a autoridade do britânico Oz Clarke para dizer aos vitivinicultores da Serra gaúcha o que muitos outros estudiosos locais e nacionais já disseram, sem serem considerados. "Sejam criativos! Mostrem a cara do Brasil! Parem de copiar modelos atrasados de 10, 15 anos! Procurem inspiração nas suas raízes! Olhem a tendência mundial em favor de vinhos mais leves e refrescantes!"

E audacioso, esmagando o preconceito e o esnobismo de muitos técnicos e críticos nacionais, provou vinhos de uvas  bordô e isabela, sem desaprovação, tendo preferido estes aos merlot e cabernet na janta em que participou, na Serra gaúcha.

Tudo isso é o que mostra a reportagem do jornal Semanário, de Bento Gonçalves, edição de 23.02.2011, que publicou as opiniões de Clarke, na visita que o crítico fez à Serra Gaúcha, à convite do Ibravin, de 14 a 18 de fevereiro. Um dos mais renomados articulistas do vinho da atualidade,  Oz Clarke é britânico, autor de 22 livros, guias e enciclopédias de vinho, apresenta programas de televisão sobre vinhos na BBC e recebeu inúmeras premiações e condecorações internacionais pelo seu trabalho. Iniciou a carreira do vinho ganhando competições no tempo em que estudava na Universidade de Oxford e teve incursões pelo teatro e cinema anteriormente, antes de dedicar-se inteiramente ao vinho, desde 1984.

Folder do último livro de Oz Clarke/ http://www.ozclarke.com
Sem papas na língua, Oz disse que considerava difíceis as condições de produção de vinho da Serra gaúcha, mas elogiou os resultados obtidos na categoria dos espumantes, como algo original, construído pelo esforço local. Para Oz é nessa linha que os vitivinicultores gaúchos devem prosseguir.

Segue o trecho da entrevista, na forma como foi colhida pelo jornal Semanário: "Os seus espumantes Moscatos são impressionantemente bons, fantásticos. O método charmat, com o Pinot e Chardonnay, são melhores que qualquer outro do mundo. Vocês fazem Proseccos muito bons, e não é todo mundo que faz Prosecco. Vocês já acharam uma coisa que fazem brilhantemente bem e podem dizer com orgulho que são os melhores no mundo. A uva é a grande diferença. O sabor que vocês conseguem nessas uvas, como Pinot Noir e Chardonnay, são diferente das da região de champagne, mais balanceadas”.

Clarke exortou os gaúchos a prestar atenção às tendências mundiais em favor do vinho branco e de vinhos mais leves, de modo geral, e a buscar inspiração nas raízes imigrantes.

Assim falou ao jornal Semanário: “Existe um movimento, nos últimos 3 anos, em prol de um vinho mais claro e refrescante. A serra gaúcha é forte na produção de vinhos tintos muito agradáveis com graduação alcoólica entre 12 e 12.7. O Brasil pode amar Merlot no momento, beber Cabernet Sauvignon, mas o mundo está com estes tipos de vinho saindo pelos ouvidos. O Brasil precisa apostar em criatividade. Gostaria de ver vocês voltando a manter contato com as suas raízes, e descobrindo tipos de uva que foram esquecidos. A Itália é cheia de variedades de uva, inclusive as brancas, completamente deixadas de lado e os maiores produtores de uva dizem que o futuro do vinho na Itália é branco, não tinto”.

"Uvas e Vinhos, de 2008.
Para Oz, não falta conhecimento e técnica às vinícolas gaúchas, mas outra coisa, segundo o trecho da entrevista concedida ao jornal Semanário.

“Às vezes, me parece que falta um pouco de imaginação. Se vocês quiserem pensar no futuro, têm que ser criativos e ver o que o resto do mundo está fazendo. Estão buscando inspiração em lugares atrasados, olhando para trás e fazendo vinhos como se fazia no norte da Itália há 10 ou 15 anos atrás, muito correto, mas faltando algo a mais, que poderia ser a cara do Brasil. Não sabemos o que o Brasil pode fazer, ainda, e eu acho que, para os maiores vinhos que poderiam ser feitos na serra, vocês ainda não começaram a plantar as variedades certas de uva. Experimentei Niagara e achei absolutamente deliciosa. Alguns dos vinhos mais agradáveis que eu bebi aqui foram feitos com uva Bordô e Isabela. A primeira garrafa que ficou vazia em cima da mesa, durante a janta, não foi o Cabernet, ou o Merlot, mas a o vinho da Isabela”.

(Estranhamente, a mídia, só festejou as opiniões favoráveis de Oz Clarke e de outros jornalistas estrangeiros presentes na visita à Serra Gaúcha, aos espumantes brasileiros. Quanto ao resto, branco...).

Um comentário:

Anônimo disse...

Parabéns!!!

A matéria e bastante objetiva e clara. Importante olhar para os nossos vinhos com mais confiança, e valorização.

Jaqueline