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30 de nov. de 2012

CRESCE A LINHA DE VINHOS VARIETAIS A PREÇOS POPULARES

INDÚSTRIA VAI EM BUSCA DO CONSUMIDOR DE R$12,00

Depois de provar aos consumidores exigentes, à mídia especializada, e à alta gastronomia que "sabe" fazer bons (...mas caros...) vinhos, a indústria vinícola brasileira volta-se também para o consumidor comum interessado em vinho. Aquele que estava acostumado à bebida barata de uvas americanas nacional e a vinhos argentinos de custo irrisório e de elaboração duvidosa  -  ou por tradição, ou porque os varietais brasileiros estavam fora do alcance do seu bolso.


Necessidade de escoar os estoques,  caça aos novos consumidores,  fazer frente à concorrência de vinhos básicos argentinos e chilenos, a verdade é que,  desde o início de 2012, a indústria engordou a linha de vinhos varietais na faixa de R$12,00, antes reduzida à produção de umas poucas vinícolas. Os rótulos tem preços que variam entre R$8,50 a R$13,90. O resultado dessa oferta é perceptível  nas gôndolas dos supermercados e não se resume apenas a vinhos tranquilos.

Cresceu também o número de marcas de espumantes e vinhos frisantes nessa média de preço. Neste inverno, numa filial de uma grande rede de supermercados de Porto Alegre destinada a consumidores de classe A/B, mas frequentada crescentemente pela nova classe C, a área destinada a vinhos nacionais já era equivalente a de vinhos estrangeiros, tantas as novas opções inseridas nas gôndolas. Isso muito antes de encerrada a querela das salvaguardas aos vinhos nacionais, que culminou em acordo pelo apoio do varejo à maior exposição da produção nacional nas prateleiras...


Em geral, são vinhos simples, com alguma intensidade de aroma e sabor, a maioria corretamente elaborados, predominando um leque de varietais mais conhecidos, entre os quais Cabernet Sauvignon, Merlot, Chardonnay e Riesling.  

A novidade são os varietais tinto "doce", algo impensável até pouco tempo, quando o que fugia do "seco", apenas alcançava o "meio-seco", em se falando de varietais. O que se percebe é que aumenta a concessão que se faz ao gosto pelo adocicado da população brasileira, algo que, não entanto, não é apenas fenômeno nacional, mas corrente nos Estados Unidos e outros países. Daí, que até os "secos" estão no limite do que se pode enquadrar como tal, com paladar adocicado desde o início. Mas isso não é privilégio da linha de entrada de vinhos. Inclusive vinhos "premium" nacionais estão se enquadrando nessa tendência.


Dentre rótulos encontrados na faixa dos R$12,00 encontra-se inclusive um vinho premiado com medalha de ouro no VI Concurso Internacional de Vinhos do Brasil, realizado pela Associação Brasileira de Enologia, com jurados internacionais, em julho último, em Bento Gonçalves. É o Cabernet Sauvignon Virtus 2011 Monte Paschoal, seco.  Mas ainda há muitas opções de vinhos engarrafados, elaborados com uvas americanas, a preços mais baixos  (de R$6,00 a R$9,00), sinal de que esse segmento continua tendo importância econômica para a indústria.


Rótulos de varietais a preços populares encontrados em supermercado de Porto Alegre - vinhos tranquilos:
  • Almadén (Miolo Wines)- Cabernet Sauvignon (seco e suave),Shiraz,Tannat,Merlot, Riesling.
  • Arbo (Perini) - Cabernet Sauvignon, Moscato, Merlot, Riesling, assemblage Cabernet Sauvignon/Merlot
  • Santa Colina (Coop. Nova Aliança) - Cabernet Sauvignon, Merlot, Chardonnay, Pinot Noir, Riesling
  • Classic (Salton) - Tannat, Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Chardonnay, Riesling
  • Marcus James (Coop.Aurora) - Cabernet Sauvignon,Tannat, Pinot Noir, Riesling, Sauvignon Blanc, Chardonnay
  • Granja União (Coop. Garibaldi) - Cabernet Sauvignon, Merlot, Cabernet Franc (suave), Riesling, Malvasia (suave)
  • Gran Legado - Merlot, Cabernet Sauvignon, Chardonnay
  • Virtus Monte Pascoal (Vinhos Basso) - Cabernet Sauvignon (seco e suave), Merlot, Chardonnay, Moscato, Tannat, Merlot Rosé
  • Vale da Ferradura (Marson) - Cabernet Sauvignon, Merlot, Chardonnay
  • Clos de Nobles (Coop. Aurora) - Cabernet Franc, Tannat, Riesling
  • Aquasantiera (Coop. Garibaldi) - assemblages Tannat/Merlot/Cabernet Sauvignon e Moscato/Riesling/Trebiano
  • Saint Germain (Coop. Aurora) - Merlot (meio-seco), Cabernet Franc (suave), assemblage Cabernet Franc/Merlot, assemblage Moscato/Trebiano
  • Serra Nevada (Salton) - Cabernet Franc (meio-seco), Cabernet Sauvignon, Merlot 
  • Conde de Foucauld (Coop. Aurora) - Cabernet Franc
  • Jota Pe Varietal (Perini) - Moscato 

19 de jun. de 2011

O selo fiscal, o mercado e o consumo de vinho

                                                                                                                                                                             
Como efeito do selo, importados de baixo preço podem ceder espaço no mercado

Quando se lançou a exigência do selo fiscal aos vinhos vendidos no mercado brasileiro, muito se falou em contenção do contrabando, que promovia concorrência ilegal, e em garantia de qualidade da bebida nacional, contra possíveis falsificações. Em realidade, o que estariam pretendendo os artífices da medida era criar um mecanismo para afastar a concorrência dos vinhos estrangeiros de baixo preço, especialmente dos originários da Argentina e do Chile. Esse mercado de vinhos varietais de baixo preço é um mercado em que a indústria nacional não consegue, por ora, concorrer com os importados, por falta de volume. 

A exigência do selo fiscal, de fato, retraiu as importações a partir de 2011, e resultou, concretamente, em um novo elemento a agregar-se ao custo do produto para os importadores, o que deverá refletir-se mais adiante nos preços de prateleira. A determinação de implantar o selo fiscal aos vinhos nacionais e estrangeiros teve como efeito, entre 2009 e 2010, um espetacular aumento preventivo da importação de vinhos estrangeiros, especialmente chilenos e argentinos, que inundaram e ainda inundam as gôndolas dos supermercados brasileiros.

Até o final do ano, o atacado e o varejo terão de livrar-se desses estoques importados sem a estampilha oficial, pois a partir de 1º de janeiro de 2012, todas as garrafas de vinho expostas à venda deverão estar seladas. As novas importações, em 2011, já estão vindo com o selo, colocado na chegada às aduanas brasileiras, de responsabilidade dos importadores. Desde junho, pelo menos os vinhos argentinos são despachados selados já na origem, por acordo de governos.

Nesse intervalo de tempo, a indústria vinícola nacional aumentou e diversificou a sua produção e intensificou as campanhas e eventos de promoção de consumo, por meio da sua entidade oficial. Os setores produtivos também se beneficiam do verdadeiro boom de consumo que se verifica no Brasil, com o aumento do poder aquisitivo das classes C e D e E, numa realidade em que vinhos e espumantes representam objeto de status e de desejo para os novos consumidores.

Mas, em relação ao consumo, a análise das importações originárias dos países vizinhos até o momento está revelando uma tendência interessante. Os argentinos reconhecem a retração nas importações brasileiras - no comparativo 2010-2011, entre janeiro e maio cairam quase 9% em volume, mas em valor aumentaram quase 4%, segundo notícia de 9 de junho da publicação eletrônica Dia a Dia del Vino, de Mendoza. Para o Chile, no mesmo período, a situação foi pior: queda de 16% em volume e 2% em valor. Mas a partir de maio, começou uma recuperação em valor para os dois países, pois 70% das vendas para o Brasil são feitas no inverno, entre abril e agosto.

E o que está se verificando, segundo os bodegueiros argentinos citados na notícia, é que o preço médio dos vinhos vendidos ao Brasil vem crescendo ano a ano. Os segmentos de preços baixos estariam perdendo volume, mas a faixa de preços médio-alto, de 26 a 35 dólares a caixa de vinho estaria muito ativa. Eles também consideram significativa a movimentação de vendas de vinho da faixa entre 39 e 60 dólares a caixa. Concluem que o brasileiro está aprendendo a desfrutar de vinhos mais complexos e aceitando pagar mais por vinhos de maior qualidade. Se essa tendência realmente  se confirmar, então, com ou sem selo fiscal, dentro de um prazo ainda não conhecido, o mercado de vinhos varietais de baixo preço poderia finalmente passar ao domínio da produção nacional.