26 de ago de 2012

INVERNO IRREGULAR ADIANTA BROTAÇÃO DO VINHEDO NO SUL


Um inverno mesclado de frio e ondas de calor provocou a antecipação da brotação das videiras em várias regiões do Rio Grande do Sul. Isso não é totalmente estranho no estado, mas sempre deixa apreensivos os viticultores.  Eles temem o possível retorno de frio intenso com geadas em setembro, que pode danificar a ramificação nova, comprometendo a produção. Além disso, a precocidade também atropela o planejamento do trabalho no vinhedo. 

Depois de junho com fortes geadas e julho com soma de horas de frio muito superiores às dos últimos anos, o mês de agosto surpreendeu os gaúchos pela grande quantidade de dias muito quentes e pela quase ausência de frio ao longo do mês. 

Essas condições, aliadas à pouca chuva registrada no período, apressaram o ciclo da planta, cujo período de brotação, no Rio Grande do Sul, vai geralmente do fim de julho a início de outubro, conforme a variedade, explica o viticultor e enólogo Blásio Bervian.  Uvas brancas viníferas, tais como Riesling Renano e Chardonnay, e a de mesa Vênus, normalmente são de ciclo precoce.  Uvas comuns como Niágara e Bordô e algumas viníferas tintas, como Merlot e  Pinot Noir, e a branca Moscato são consideradas semi-precoces.  De ciclos tardios são a vinífera Cabernet Sauvignon e a comum Isabel.


Bervian, calcula que a brotação está adiantada uns 10 dias, em relação aos anos anteriores. 

Além da variedade, outros fatores contribuem para retardar ou deslanchar a brotação: a altitude, relacionada às temperaturas médias (em regiões mais altas, as médias de frio são mais baixas,  ao contrário das terras em altitudes menores); quantidade de luz natural, tanto solar como lunar (em invernos chuvosos e com neblina há menos luminosidade, diminuindo o estímulo aos processos vitais das plantas); e estresse hídrico, que tem consequência semelhante ao fator anterior.

No caso do Rio Grande do Sul, as condições climáticas que se verificaram de junho a agosto explicam a brotação precoce, segundo o enólogo. "Tivemos frio intenso com geadas fortes duas ou três vezes, que favoreceu a quebra de dormência, com ondas de calor logo em seguida. E com um inverno bastante seco, sem neblina e dias chuvosos, e ainda com a luz noturna da lua, foi estimulada a brotação precoce". Blásio Bervian observa que a fisiologia da videira é comandada pelas condições de clima e solo. "É um relógio interno que desperta quando as condições são atingidas".  Se geadas tivessem ocorrido também em julho e o frio se mantivesse constante e intenso no período, a brotação ocorreria mais tarde, calcula.



Um comentário:

Helena disse...

Vamos torcer para que nenhuma frente fria com geada chegue em setembro. Essa brotação atencipada altera o sabor dos vinhos?