Maior mercado consumidor de vinhos do Brasil, o estado de São Paulo quer também melhorar sua situação no polo de produção da bebida.
Marcando o segundo ano do Programa Pró-Vinho, projeto de revitalização da cadeia vitivinícola do estado de São Paulo, foi lançado o livro Vinhedo Paulista, com o objetivo de apoiar e incentivar os segmentos envolvidos na atividade.
Dentre os objetivos do programa estão a formatação de um projeto coletivo visando a construção da identidade do vinho paulista e ao desenvolvimento da região.
O projeto é uma parceria entre a Secretaria de Agricultura e Abastecimento do estado de São Paulo, Federação das Indústrias (Fiesp), sindicatos, associações e cooperativas de produtores de uva e vinho e prefeituras municipais.Em paralelo ao programa, foi criado o Instituto Paulista de Vitivinicultura e a Câmara Setorial da Uva e do Vinho do estado.
A atividade vitivinícola paulista caracteriza-se pela produção de uvas de mesa e vinhos de uvas americanas e híbridas, mas na última década, registrou estagnação em relação ao crescimento apresentado pelas outras regiões, nas quais se intensificaram os esforços pela valorização de vinhos de qualidade, com identidade territorial.
Publicado pela Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati), da Secretaria de Agricultura, Vinhedo Paulista está dividido em três partes: desenvolvimento histórico da vitivinicultura paulista; aspectos técnicos da implantação e manejo; e vinificação.
Berço da vitivinicultura nacional - há registro de produção de vinho no planalto de Piratininga em 1551, por Braz Cubas - em São Paulo, a atividade existiu discretamente como cultura doméstica ao longo dos séculos XVII e XVIII. No século XIX ressurgiu, entre 1830 e 1840, com a difusão e entrada em São Paulo, das variedades de uvas americanas, especialmente a Isabel, em chácaras e fazendas nos arredores da capital. Passou a ter importância econômica no estado, apenas no final do século XIX, quando os imigrantes italianos, liberados das fazendas de café, puderam dedicar-se à atividade, integrada à sua cultura e história.
Dos 85% de vinhos de mesa comuns produzidos no Brasil, 60% são comercializados em São Paulo, e dos restantes 15% de vinhos finos, o maior mercado consumidor também é o paulista. O Rio Grande do Sul é responsável por cerca de 90% da produção de vinhos e sucos de uva nacionais.
19 de jun. de 2011
O selo fiscal, o mercado e o consumo de vinho
Quando se lançou a exigência do selo fiscal aos vinhos vendidos no mercado brasileiro, muito se falou em contenção do contrabando, que promovia concorrência ilegal, e em garantia de qualidade da bebida nacional, contra possíveis falsificações. Em realidade, o que estariam pretendendo os artífices da medida era criar um mecanismo para afastar a concorrência dos vinhos estrangeiros de baixo preço, especialmente dos originários da Argentina e do Chile. Esse mercado de vinhos varietais de baixo preço é um mercado em que a indústria nacional não consegue, por ora, concorrer com os importados, por falta de volume.
A exigência do selo fiscal, de fato, retraiu as importações a partir de 2011, e resultou, concretamente, em um novo elemento a agregar-se ao custo do produto para os importadores, o que deverá refletir-se mais adiante nos preços de prateleira. A determinação de implantar o selo fiscal aos vinhos nacionais e estrangeiros teve como efeito, entre 2009 e 2010, um espetacular aumento preventivo da importação de vinhos estrangeiros, especialmente chilenos e argentinos, que inundaram e ainda inundam as gôndolas dos supermercados brasileiros.
Até o final do ano, o atacado e o varejo terão de livrar-se desses estoques importados sem a estampilha oficial, pois a partir de 1º de janeiro de 2012, todas as garrafas de vinho expostas à venda deverão estar seladas. As novas importações, em 2011, já estão vindo com o selo, colocado na chegada às aduanas brasileiras, de responsabilidade dos importadores. Desde junho, pelo menos os vinhos argentinos são despachados selados já na origem, por acordo de governos.Nesse intervalo de tempo, a indústria vinícola nacional aumentou e diversificou a sua produção e intensificou as campanhas e eventos de promoção de consumo, por meio da sua entidade oficial. Os setores produtivos também se beneficiam do verdadeiro boom de consumo que se verifica no Brasil, com o aumento do poder aquisitivo das classes C e D e E, numa realidade em que vinhos e espumantes representam objeto de status e de desejo para os novos consumidores.
Mas, em relação ao consumo, a análise das importações originárias dos países vizinhos até o momento está revelando uma tendência interessante. Os argentinos reconhecem a retração nas importações brasileiras - no comparativo 2010-2011, entre janeiro e maio cairam quase 9% em volume, mas em valor aumentaram quase 4%, segundo notícia de 9 de junho da publicação eletrônica Dia a Dia del Vino, de Mendoza. Para o Chile, no mesmo período, a situação foi pior: queda de 16% em volume e 2% em valor. Mas a partir de maio, começou uma recuperação em valor para os dois países, pois 70% das vendas para o Brasil são feitas no inverno, entre abril e agosto.
E o que está se verificando, segundo os bodegueiros argentinos citados na notícia, é que o preço médio dos vinhos vendidos ao Brasil vem crescendo ano a ano. Os segmentos de preços baixos estariam perdendo volume, mas a faixa de preços médio-alto, de 26 a 35 dólares a caixa de vinho estaria muito ativa. Eles também consideram significativa a movimentação de vendas de vinho da faixa entre 39 e 60 dólares a caixa. Concluem que o brasileiro está aprendendo a desfrutar de vinhos mais complexos e aceitando pagar mais por vinhos de maior qualidade. Se essa tendência realmente se confirmar, então, com ou sem selo fiscal, dentro de um prazo ainda não conhecido, o mercado de vinhos varietais de baixo preço poderia finalmente passar ao domínio da produção nacional.
22 de mai. de 2011
VINHEDOS INICIAM O REPOUSO HIBERNAL NO OUTONO
O CICLO DA VIDE - O CICLO DA VIDA
Com a chegada dos primeiros dias frios do outono, em maio, as videiras começam a entrar no período chamado de repouso hibernal.
Depois da brotação, crescimento, florescimento e frutificação, etapas em que despendeu o máximo de sua força vegetativa, a videira encerra um ciclo.
Nas regiões de clima temperado, como no Rio Grande do Sul, a queda de temperatura e o encurtamento dos dias (menos horas de luz solar) que caracterizam o outono e inverno, fazem com que a videira reduza drasticamente o seu metabolismo.
Reservas de nutrientes migram das folhas e ramos jovens e se acumulam nos ramos mais velhos, no caule e nas raízes. A produção de clorofila é paralisada e as folhas tornam-se amareladas e avermelhadas.
Nesse momento, a videira processa um hormônio vegetal chamado ácido abscísico, que se concentra na base da haste das folhas, provocando a morte das células da região e, em seguida a queda da folha.
Assim inicia-se o repouso hibernal da videira, momento em que ocorrem reações bioquímicas na planta fundamentais para que se inicie, mais adiante, uma nova fase de crescimento. As baixas temperaturas são essenciais para que esse acúmulo de energia possa se expressar em um novo ciclo, na primavera, quando a vide / a vida se renova.
(Vide- videira - vinha - parreira: planta cujo fruto é a uva)
9 de mai. de 2011
FENAVINHO BRASIL 2011
| Estilização da Pipa-Pórtico de Bento Gonçalves |
A Fenavinho Brasil 2011, encerrada domingo, dia 8 de maio, em Bento Gonçalves, apesar de sua abrangência nacional, é, em realidade a maior festa-feira de vinhos do Rio Grande do Sul, estado onde se produz cerca de 90% dos vinhos do Brasil.
Lá estavam os três maiores estabelecimentos vinícolas do país (Miolo, Salton e Cooperativa Aurora) um punhado de empresas de prestigio, e outro tanto entre médias, pequenas e iniciantes, sediadas no Rio Grande do Sul. É, sem dúvida, a expressão mais importante da cultura e da arte de fazer vinhos do sul brasileiro.
No sentido festa, o evento contou com atrações relacionadas à história da imigração e do legado italiano, com apresentações típicas, exposições e opções de gastronomia. A feira proporcionou o contato direto com as 42 vinícolas expositoras, permitindo a degustação e a compra de vinhos, espumantes e suco de uva. Em paralelo, foram realizados cursos de degustação e expostos produtos da agroindústria familiar e variedades. Também ocorreram rodadas de negócios entre vinícolas e compradores interessados.
Nesta edição da Fenavinho, como já ocorreu anteriormente, vários estabelecimentos prestigiados não compareceram, talvez preferindo guardar seus investimentos para outras iniciativas de projeção. Mas algumas médias e pequenas e desconhecidas vinícolas souberam aproveitar o momento para mostrar sua cara ao público e fazer vendas diretas e, especialmente, participar das rodadas de negócio, abrindo novas oportunidades para escoar sua produção.
BOAS SURPRESAS NA FESTA DO VINHO
No terreno dos espumantes restou comprovada a imensa riqueza da produção vitivinícola gaúcha. É surpreendente a grande diversidade de propostas e composições, todas muito expressivas, revelando resultados de fazeres agronômicos, enológicos e humanos distintos entre si.
| Eder Giaretta |
Outras surpresas vieram também de um empreendimento de menos de dez anos de existência, a Vinícola Bodega Copetti & Czarnobay, localizada na Serra do Sudeste gaúcho, município de Encruzilhada do Sul, uma das novas regiões produtoras do Rio Grande do Sul.
O Espumante Copetti Brut Chardonnay é produzido com um corte de uvas Chardonnay e blanc de noirs (Cabernet Sauvignon e Merlot vinificadas em branco), pelo método Charmat longo, que lhe propicia uma característica estruturada, cremosa, frutada e fresca.
10 de abr. de 2011
Fim da colheita comemorado com "sapeco" de pinhão
Nos primeiros dias do mês de abril foram colhidas as últimas uvas viníferas tardias no vinhedo da pequena Vinícola Barbarano, interior de Veranópolis, Rio Grande do Sul. Sábado, já pelo meio da tarde, depois de terminada a lavagem do piso da cantina, hora de relaxar um pouco, depois de mais de 70 dias contínuos de colheita, processamento do suco de uvas Isabel e vinificação das uvas Tannat e Cabernet Sauvignon.
Hora do vitivinicultor Joel Baratto dar curso ao desejo de "derrubar" as primeiras pinhas de araucária da temporada, ali mesmo no entorno da propriedade, e preparar o "sapeco" de pinhão. Joel coleta galhos secos caídos dos pinheirais e amontoa para uma pequena fogueira. Depois abrem-se as pinhas e jogam-se pinhões sobre os ramos. Elisabete Gregol, assessora comercial da empresa, traz vinhos e sucos. A roda de amigos se agrupa a Joel e Elisabete, ainda em roupas de trabalho.
O fogo crepita, sobe forte, mas não demora a se extinguir.No final, os pinhões são separados e catados.
As cascas saem facilmente com leve pressão.
E entre os dedos escurecidos, surge o pinhão sapecado pelo fogo, pronto para ser comido.Tradição campeira, comemorada com votos de prosperidade em brindes de vinho novo !
27 de mar. de 2011
À ESPERA DO PRIMEIRO FRIO DO INVERNO
A vindima há muito já terminou para as variedades de uvas destinadas ao vinho de mesa. Em centenas de porões, galpões, cantos de garagens, em zonas rurais ou até em bairros de áreas urbanas, o vinho que já sofreu a primeira fermentação e já foi separado da borra há semanas, termina a segunda fermentação ou até já descansa, depois de trasfegado, em pequenos tanques, tonéis ou outros vasilhames improvisados.
Fazer um vinho caseiro não é tão complicado, mas dá muito trabalho. E por falta de cuidado, tudo pode ser perdido, virar vinagre.
Os vinhos obtidos são de gosto foxado (um aroma e gosto forte que remete à própria uva in natura), estigmatizados pelo mundo vinícola, diante dos produtos obtidos por uvas de vitis européias. Mas é preciso lembrar que foi com o tipo colonial que a maioria dos consumidores brasileiros adquiriu o hábito do vinho. Na realidade, ainda é o mais consumido no país.
Beber o próprio vinho tem um significado quase sagrado. É como experimentar a satisfação da criação, a autonomia de extrair da natureza o próprio alimento.
É o vinho caseiro, à espera dos primeiros frios do inverno, depois do qual, segundo a tradição, estará pronto para o consumo. Enquanto isso, é vigiado diariamente com atenciosa afeição, como a dirigida a uma criança em crescimento.
| Mosto fermentado |
Muita gente gosta de fazer seu próprio vinho, seguindo o método rústico dos primeiros imigrantes europeus. A maioria são pequenos agricultores que já tem na própria história o costume. Outros, vivendo nas cidades, não possuem mais terras para cultivar, mas todo ano vão em busca de uvas maduras para fermentar, como para honrar um último elo com os terrunhos que perderam.
| Paulo Serafim tirando vinho |
Ainda assim, amadores e experimentados se lançam à essa atividade todos os anos. O passo-a-passo é transmitido oralmente, de parceiro para parceiro. Não há receitas. As condições e os locais de elaboração são às vezes precários. Se o lugar for fresco, mais chance de bom resultado.
Na esteira da tradição, as uvas procuradas geralmente são as tintas comuns, de preço acessível, as viti labruscas: a Isabel, que pode dar vinhos de cor vermelho vivo ou rosada, dependendo da maturação, em combinação com a Bordô, uma tintureira, que isoladamente não é apreciada pela alta concentração de pigmento. Na falta da Isabel, admite-se até fermentações de uma parcela de uvas brancas, como a Niágara, com a Bordô, para equilibrar a cor.
É um vinho "honesto", vinho "puro", justifica-se, “sem química”. Quando muito, açúcar na fermentação para elevar um pouco o grau alcoólico e sulfitos para evitar a degradação do mosto. O cuidado é não errar nas proporções: nem muito, nem pouco. Os vinhos podem resultar ácidos, ásperos ou leves e suaves. Serão bebidos, com satisfação.
4 de mar. de 2011
VINHOS DE UVAS RARAS NA FESTA NACIONAL DA VINDIMA
A 12ª Festa Nacional da Vindima, que vai até o dia 13 de março, em Flores da Cunha, no Rio Grande do Sul, é a oportunidade de conhecer as realizações da cultura imigrante italiana, fincada há mais de 130 anos nas serras da região centro-nordeste gaúcho. Ali se destaca o aspecto mais marcante e que consagrou a herança da imigração: o cultivo de uvas e elaboração de vinhos.
A exposição de uvas produzidas no município de Flores da Cunha é passagem obrigatória no pavilhão do parque onde se realiza a festa.
com 188 empresas vinícolas e de bebidas, tendo produzido 78 milhões de litros de vinho em 2010. Praticamente a metade desses produtores são cantinas familiares, segundo do Sindicato dos Trabalhadores Rurais da região.
E é no estande de uma dessas vinícolas, a Casa Gilioli, do Travessão Lagoa Bela, interior de Flores da Cunha, que encontramos um vinho de mesa raro atualmente, produzido com a uva Herbemont, varietal americana (Vitis Bourquina), trazida da Europa pelos imigrantes no século XIX. Entre os colonos era conhecida com o nome de champagne ou borgonha.
Começou a desaparecer progressivamente, por ser altamente suscetível à fusariose, uma doença causada por fungos que resseca a parte aérea da planta, e para a qual ainda não foi encontrado um controle definitivo.
No vinhedo da vinícola ainda se conservam cerca de 200 plantas dessa variedade, cujas uvas deverão render o suficiente para produzir cerca de 1.500 litros de vinho, na safra 2011, segundo estimativa do enólogo.
O Casa Gilioli Herbemont é um vinho seco, leve, de coloração rosé romã, aroma discreto, baixo teor alcóolico (10,8% vol.) e significativa acidez.
A Vinícola também produz outro vinho de mesa raro no mercado, o tinto da variedade híbrida Margot BRS, desenvolvida e lançada pela Embrapa em 2007, a partir de um cruzamento dos varietais Merlot e Villard Noir. Trata-se de um vinho de mesa com características de vínifera, cujos testes de validação agronômica e industrial foram feitos nos vinhedos da Gilioli, permitindo que a vinícola seja uma das primeiras a elaborá-lo de modo comercial.
Dentre as vinícolas pequenas, destaque para o estande dos Vinhos Hortência, da localidade de Mato Perso, cujo vinho Hortência Moscato Seco, ficou entre os 30 vinhos mais representativos da safra 2010 da Avaliação Nacional de Vinhos, realizada em setembro do ano passado.
Também encontramos no estande da Adega Mascarello, o Don Bortolo Moscato Giallo, que recebeu medalha de ouro na categoria vinho branco seco aromático no Concurso Melhores Vinhos de Flores da Cunha 2009.
A apresentação do coral de Mato Perso, emocionou alguns casais, que aproveitaram o espaço do corredor entre os estandes para embalar-se ao som das antigas canções italianas...
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XII Fenavindima
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