10 de abr. de 2011

Fim da colheita comemorado com "sapeco" de pinhão

 
 
Nos primeiros dias do mês de abril foram colhidas as últimas uvas viníferas tardias no vinhedo da pequena Vinícola Barbarano,  interior de Veranópolis, Rio Grande do Sul. Sábado, já pelo meio da tarde, depois de terminada a lavagem do piso da cantina, hora de relaxar um pouco, depois de mais de 70 dias contínuos de colheita, processamento do suco de uvas Isabel e vinificação das uvas Tannat e Cabernet Sauvignon.

Hora do vitivinicultor Joel Baratto dar curso ao desejo de "derrubar" as primeiras pinhas de araucária da temporada, ali mesmo no entorno da propriedade,  e preparar o "sapeco" de pinhão. Joel coleta galhos secos caídos dos pinheirais e amontoa para uma pequena fogueira. Depois abrem-se as pinhas e jogam-se pinhões sobre os ramos. Elisabete Gregol, assessora comercial da empresa, traz vinhos e sucos. A roda de amigos se agrupa a Joel e Elisabete, ainda em roupas de trabalho.
 






 










O fogo crepita, sobe forte, mas não demora a se extinguir.No final, os pinhões  são separados e catados.
As cascas saem facilmente com leve pressão. 
E entre os dedos escurecidos, surge o pinhão sapecado pelo fogo, pronto para ser comido.
Tradição campeira, comemorada com votos de prosperidade em brindes de vinho novo !

27 de mar. de 2011

À ESPERA DO PRIMEIRO FRIO DO INVERNO

O vinho por métodos rústicos 
A vindima há muito já terminou para as variedades de uvas destinadas ao vinho de mesa. Em centenas de porões, galpões, cantos de garagens, em zonas rurais ou até em bairros de áreas urbanas, o vinho que já sofreu a primeira fermentação e já foi separado da borra há semanas, termina a segunda fermentação ou até já descansa, depois de trasfegado, em pequenos tanques, tonéis ou outros vasilhames improvisados. 

É o vinho caseiro, à espera dos primeiros frios do inverno, depois do qual, segundo a tradição, estará pronto para o consumo. Enquanto isso, é vigiado diariamente com atenciosa afeição, como a dirigida a uma criança em crescimento.

Mosto fermentado
Muita gente gosta de fazer seu próprio vinho, seguindo o método rústico dos primeiros imigrantes europeus. A maioria são pequenos agricultores que já tem na própria história o costume. Outros, vivendo nas cidades,  não possuem mais terras para cultivar, mas todo ano vão em busca de uvas maduras para fermentar, como para honrar um último elo com os terrunhos que perderam.


Paulo Serafim tirando vinho
Fazer um vinho caseiro não é tão complicado, mas dá muito trabalho. E por falta de cuidado, tudo pode ser perdido, virar vinagre. 
 Ainda assim, amadores e experimentados se lançam à essa  atividade todos os anos. O passo-a-passo é transmitido oralmente, de parceiro para parceiro. Não há receitas. As condições e os locais de elaboração são às vezes precários. Se o lugar for fresco, mais chance de bom resultado.

 Na esteira da tradição, as uvas procuradas geralmente são as tintas comuns, de preço acessível, as viti labruscas: a Isabel, que pode dar vinhos de cor vermelho vivo ou rosada, dependendo da maturação, em combinação com a Bordô, uma tintureira, que isoladamente não é apreciada pela alta concentração de pigmento. Na falta da Isabel, admite-se até fermentações de uma parcela de uvas brancas, como a Niágara, com a Bordô, para equilibrar a cor.

Os vinhos obtidos são de gosto foxado (um aroma e gosto forte que remete à própria uva in natura), estigmatizados pelo mundo vinícola, diante dos produtos obtidos por uvas de vitis européias. Mas é preciso lembrar que foi com o tipo colonial que a maioria dos consumidores brasileiros adquiriu o hábito do vinho. Na realidade, ainda é o mais consumido no país.

Beber o próprio vinho tem um significado quase sagrado. É como experimentar a satisfação da criação, a autonomia de extrair da natureza o próprio alimento. 

É um vinho "honesto", vinho "puro", justifica-se, “sem química”. Quando muito, açúcar na fermentação para elevar um pouco o grau alcoólico e sulfitos para evitar a degradação do mosto. O cuidado é não errar nas proporções: nem muito, nem pouco. Os vinhos podem resultar ácidos, ásperos ou leves e suaves. Serão bebidos, com satisfação.


4 de mar. de 2011

VINHOS DE UVAS RARAS NA FESTA NACIONAL DA VINDIMA




































A 12ª Festa Nacional da Vindima, que vai até o dia 13 de março, em Flores da Cunha, no Rio Grande do Sul, é a oportunidade de conhecer as realizações da cultura imigrante italiana, fincada há mais de 130 anos nas serras da região centro-nordeste gaúcho. Ali se destaca o aspecto mais marcante e que consagrou a herança da imigração: o cultivo de uvas e  elaboração de vinhos.

A exposição de uvas produzidas no município de Flores da Cunha é passagem obrigatória no pavilhão do parque onde se realiza a festa.






































 
 
Flores da Cunha orgulha-se de ser o maior produtor de vinhos do Brasil,
com 188  empresas vinícolas e de bebidas, tendo produzido 78 milhões de litros de vinho em 2010. Praticamente a metade desses produtores são cantinas familiares, segundo do Sindicato dos Trabalhadores Rurais da região.


E é no estande de uma dessas vinícolas, a Casa Gilioli, do Travessão Lagoa Bela, interior de Flores da Cunha, que encontramos um vinho de mesa raro atualmente, produzido com a uva Herbemont, varietal americana (Vitis Bourquina), trazida da Europa pelos imigrantes no século XIX. Entre os colonos era conhecida com o nome de champagne ou borgonha.
 

A Herbemont foi uma uva bastante cultivada pelo seu alto poder agronômico. Até os anos 1950, era utilizada para elaborar espumantes, vinhos de mesa e vermutes de vinho, informa o enólogo Luiz Pedro Gilioli.

Começou a desaparecer progressivamente, por ser altamente suscetível à  fusariose, uma doença causada por fungos que resseca a parte aérea da planta, e para a qual ainda não foi encontrado um controle definitivo.


No vinhedo da vinícola ainda se conservam cerca de 200 plantas dessa variedade, cujas uvas  deverão render o suficiente para produzir cerca de 1.500 litros de vinho, na safra 2011, segundo estimativa do enólogo.


O Casa Gilioli Herbemont é um vinho seco, leve, de coloração rosé romã, aroma discreto, baixo teor alcóolico (10,8% vol.) e significativa acidez.

A Vinícola também produz outro vinho de mesa raro no mercado, o tinto da variedade híbrida Margot BRS, desenvolvida e lançada pela Embrapa em 2007, a partir de um cruzamento dos varietais Merlot e Villard Noir. Trata-se de um vinho de mesa com características de vínifera, cujos testes de validação agronômica e industrial foram feitos nos vinhedos da Gilioli, permitindo que a vinícola seja uma das primeiras a elaborá-lo de modo comercial.





Dentre as vinícolas pequenas, destaque para o estande dos Vinhos Hortência, da localidade de Mato Perso, cujo vinho Hortência Moscato Seco, ficou entre os 30 vinhos mais representativos da safra 2010 da Avaliação Nacional de Vinhos, realizada em setembro do ano passado.





Também encontramos no estande da  Adega Mascarello, o Don Bortolo Moscato Giallo, que recebeu medalha de ouro na categoria vinho branco seco aromático no Concurso Melhores Vinhos de Flores da Cunha 2009.




A apresentação do coral de Mato Perso, emocionou alguns casais, que aproveitaram o espaço do corredor entre os estandes para embalar-se ao som das antigas canções italianas...























25 de fev. de 2011

OZ CLARKE , FAMOSO CRÍTICO DE VINHOS BRITÂNICO, BEBEU VINHOS DE UVAS BORDÔ E ISABEL E NÃO TORCEU A CARA!

É preciso que venha alguém com a autoridade do britânico Oz Clarke para dizer aos vitivinicultores da Serra gaúcha o que muitos outros estudiosos locais e nacionais já disseram, sem serem considerados. "Sejam criativos! Mostrem a cara do Brasil! Parem de copiar modelos atrasados de 10, 15 anos! Procurem inspiração nas suas raízes! Olhem a tendência mundial em favor de vinhos mais leves e refrescantes!"

E audacioso, esmagando o preconceito e o esnobismo de muitos técnicos e críticos nacionais, provou vinhos de uvas  bordô e isabela, sem desaprovação, tendo preferido estes aos merlot e cabernet na janta em que participou, na Serra gaúcha.

Tudo isso é o que mostra a reportagem do jornal Semanário, de Bento Gonçalves, edição de 23.02.2011, que publicou as opiniões de Clarke, na visita que o crítico fez à Serra Gaúcha, à convite do Ibravin, de 14 a 18 de fevereiro. Um dos mais renomados articulistas do vinho da atualidade,  Oz Clarke é britânico, autor de 22 livros, guias e enciclopédias de vinho, apresenta programas de televisão sobre vinhos na BBC e recebeu inúmeras premiações e condecorações internacionais pelo seu trabalho. Iniciou a carreira do vinho ganhando competições no tempo em que estudava na Universidade de Oxford e teve incursões pelo teatro e cinema anteriormente, antes de dedicar-se inteiramente ao vinho, desde 1984.

Folder do último livro de Oz Clarke/ http://www.ozclarke.com
Sem papas na língua, Oz disse que considerava difíceis as condições de produção de vinho da Serra gaúcha, mas elogiou os resultados obtidos na categoria dos espumantes, como algo original, construído pelo esforço local. Para Oz é nessa linha que os vitivinicultores gaúchos devem prosseguir.

Segue o trecho da entrevista, na forma como foi colhida pelo jornal Semanário: "Os seus espumantes Moscatos são impressionantemente bons, fantásticos. O método charmat, com o Pinot e Chardonnay, são melhores que qualquer outro do mundo. Vocês fazem Proseccos muito bons, e não é todo mundo que faz Prosecco. Vocês já acharam uma coisa que fazem brilhantemente bem e podem dizer com orgulho que são os melhores no mundo. A uva é a grande diferença. O sabor que vocês conseguem nessas uvas, como Pinot Noir e Chardonnay, são diferente das da região de champagne, mais balanceadas”.

Clarke exortou os gaúchos a prestar atenção às tendências mundiais em favor do vinho branco e de vinhos mais leves, de modo geral, e a buscar inspiração nas raízes imigrantes.

Assim falou ao jornal Semanário: “Existe um movimento, nos últimos 3 anos, em prol de um vinho mais claro e refrescante. A serra gaúcha é forte na produção de vinhos tintos muito agradáveis com graduação alcoólica entre 12 e 12.7. O Brasil pode amar Merlot no momento, beber Cabernet Sauvignon, mas o mundo está com estes tipos de vinho saindo pelos ouvidos. O Brasil precisa apostar em criatividade. Gostaria de ver vocês voltando a manter contato com as suas raízes, e descobrindo tipos de uva que foram esquecidos. A Itália é cheia de variedades de uva, inclusive as brancas, completamente deixadas de lado e os maiores produtores de uva dizem que o futuro do vinho na Itália é branco, não tinto”.

"Uvas e Vinhos, de 2008.
Para Oz, não falta conhecimento e técnica às vinícolas gaúchas, mas outra coisa, segundo o trecho da entrevista concedida ao jornal Semanário.

“Às vezes, me parece que falta um pouco de imaginação. Se vocês quiserem pensar no futuro, têm que ser criativos e ver o que o resto do mundo está fazendo. Estão buscando inspiração em lugares atrasados, olhando para trás e fazendo vinhos como se fazia no norte da Itália há 10 ou 15 anos atrás, muito correto, mas faltando algo a mais, que poderia ser a cara do Brasil. Não sabemos o que o Brasil pode fazer, ainda, e eu acho que, para os maiores vinhos que poderiam ser feitos na serra, vocês ainda não começaram a plantar as variedades certas de uva. Experimentei Niagara e achei absolutamente deliciosa. Alguns dos vinhos mais agradáveis que eu bebi aqui foram feitos com uva Bordô e Isabela. A primeira garrafa que ficou vazia em cima da mesa, durante a janta, não foi o Cabernet, ou o Merlot, mas a o vinho da Isabela”.

(Estranhamente, a mídia, só festejou as opiniões favoráveis de Oz Clarke e de outros jornalistas estrangeiros presentes na visita à Serra Gaúcha, aos espumantes brasileiros. Quanto ao resto, branco...).

7 de fev. de 2011

UMA SAFRA DE QUALIDADE ENTUSIASMA OS VITICULTORES

MENOS CHUVAS, MENOS DOENÇAS, MAIOR TEOR DE AÇÚCAR NA UVA


Vinhedo de Cabernet Sauvignon ainda em maturação

Pela primeira vez em muitos anos, os viticultores da região serrana de Bento Gonçalves não estão reclamando do preço da uva pago pelas cantinas. A qualidade da vindima valorizou a produção. As uvas Chardonnay já colhidas nos vales e encostas baixas atingiram grau glucométrico de 18º a 20º Brix, elevando o quilo até R$2,30. A produtividade dos vinhedos também foi beneficiada pela não ocorrência de geadas e ausência de chuvas na floração, em outubro.


A qualidade da Chardonnay entusiasma as vinícolas voltadas à produção de espumante, que tem nessa uva junto com a Pinot Noir, a matéria prima essencial. Afinal, a demanda pelo espumante nunca foi tão grande quanto em 2010. As vendas cresceram 12%  nas vinícolas gaúchas, responsáveis por 90% da produção nacional. 

Uvas Prosecco quase ao ponto da colheita

Também estão sendo colhidas as variedades americanas e híbridas para suco de uva e vinho corrente, que igualmente se apresentam com maior qualidade em relação ao ano passado.

Na próxima semana e até o final do mês devem ser colhidas as variedades tintas viníferas, para as quais também há muito boas expectativas, em razão do seu desenvolvimento atual.

Uvas Tannat na muda da cor

31 de jan. de 2011

VINHOS BIOLÓGICOS SÃO A NOVA TENDÊNCIA NA EUROPA


Já não dá mais para dizer que é apenas um modismo. Os produtores de vinhos bio aumentam a cada ano na Europa. Há poucos dias em Montepellier, no sul da França, realizou-se uma das mais importantes feiras de vinhos bio européia, a Millésime Bio 2011, de 24 a 26 de janeiro. Participaram 560 expositores vindos da França e de 14 outros países, entre eles, Argentina e Polônia. A feira tem caráter profissional, é destinada a negócios, e neste ano atraiu muitos interessados de países asiáticos, entre os mais de quatro mil visitantes.

Na União Européia, a Itália é a maior produtora de vinhos bio, com 40,4%, seguida da França, com 34,8% e da Espanha com 18,9%, segundo as informações da asssociação interprofissional francesa de vinhos biológicos.


Na França, os vinhedos bio representam 6,2% da superfície total plantada de uvas, ou seja 52 mil hectares (só para comparar, a área total da viticultura no Brasil, atinge cerca de 77 mil hectares, segundo o Ibravin). As áreas em  "bio" aumentaram 20% em 2007,  25% em 2008 e 52% en 2009. A Associação Vinhateiros Independentes da França, com 6 mil filiados já tem 1300 certificados bio ou em conversão e calcula que 15% dos viticultores "não bio" desejam converter sua produção para o sistema  até 2013.

Na Europa, quando se diz vinho bio, está se falando de "vinho originário de uvas da agricultura biológica", porque, por enquanto, a legislação do setor abrange unicamente o modo de produção da uva. Os produtores estão se mobilizando para apresentar uma proposta de regulamentação da vinificação bio à Comissão Européia até o final do ano.

Para ser considerado produtor de vinho bio, e usar o logo "AB" na etiqueta, o viticultor precisa:
  • - notificar sua atividade ao poder público (Agência Bio);
  • - cultivar as uvas sem produtos químicos de síntese (adubos, pesticidas);
  • - aplicar as regras da agricultura biológica por no mínimo três anos, antes de poder usar na etiqueta a menção "vinho originário de uvas da agricultura biológica";
  • - ser certificado por um organismo credenciado (uma visita obrigatória e uma incerta).
O mercado de vinhos desse tipo movimenta 254 milhões de euros, tendo aumentado 34% em três anos. Vai para exportação 70% da produção.

Na América do Sul, Argentina e Chile tem vinícolas de renome voltadas à produção de vinhos finos biológicos. No Brasil praticamente não existe.

    30 de dez. de 2010

    2011 ABRE NOVA TRAJETÓRIA PARA O VINHO BRASILEIRO


    Uma vindima que promete

    O desenvolvimento das videiras e da uva mostravam, em meados de dezembro, que a vindima de 2011 poderá ser uma das melhores dos últimos anos.

    Para a viticultura brasileira, o final de 2010 também será marcado por uma grande virada negocial, puxada pelo vinho espumante, cujo crescimento em vendas chegará a 20% em relação a 2009. Um espetáculo, com a perspectiva de 13 milhões de litros comercializados.

    Finalmente o brasileiro está se rendendo ao espumante nacional, que já demonstrou sua qualidade em inúmeros certames internacionais e que tem a seu favor o preço acessível, especialmente quando se fala do moscatel.

    A bebida conquistou um espaço importante no cotidiano do brasileiro, que já não se limita mais ao consumo sazonal das festas de fim de ano.
     
    Beber um espumante associou-se à uma consignação de importância e gratificação à vários momentos do dia-a-dia no convívio entre as pessoas, tanto nas famílias quanto no mundo do trabalho.


    Quanto ao vinho tranquilo nacional, ainda há um  longo caminho a percorrer, que exige, entre outras providências:
    • Vencer a capacidade das empresas argentinas e chilenas em colocar no país grandes quantidades de vinho ordinário a preços menores que R$10,00 a garrafa;
    • Produzir em escala no segmento de vinhos básicos de varietais européias que possam se contrapor aos estrangeiros de baixo preço;
    • Lançar campanhas de massa de educação para a cultura do vinho, a fim de que progressivamente seja diminuído o interesse por vinhos das variedades americanas ("da colonia"), e outras variantes, de baixo preço e escassa qualidade;
    • Reconhecer a vocação brasileira condicionada pela geografia e clima (terroir brasileiro) e parar de querer imitar a produção de outros países; educar os "educadores" (comentaristas de vinho) para que o preconceito seja superado;
    • Aumentar a aposta na diversidade, tipificando vinhos das várias regiões produtoras no Rio Grande do Sul e no Brasil;
    • Estimular a diferenciação e a qualificação das produções regionais, através de mecanismos de autocontrole visando alcançar padrões de qualidade como Indicações Geográficas.
    • E não é tudo... Há muito mais a fazer.

    8 de dez. de 2010

    NASCE UMA NOVA REGIÃO PRODUTORA DE VINHO NO RIO GRANDE DO SUL

    A vitivinicultura fincou pé em uma nova região do Rio Grande do Sul. O cultivo da uva na área é recente, menos de 10 anos, mas a região do Alto Uruguai, no norte do estado, já mostrou que tem um diferencial. 

    As características geoclimáticas distintas das demais permitem uma safra antecipada em até dois meses, o que prenuncia uma interessante vantagem competitiva para a produção local. 

    O vinho e as videiras devem abrir novas oportunidades para o turismo da região, já conhecido pelos roteiros das pedras preciosas (Ametista do Sul) e o Salto de Yacumã. 

    Em breve os produtos da região deverão estampar os selos "Vinhos do Alto Uruguai", "Espumantes do Alto Uruguai" e ""Sucos do Alto Uruguai" e a marca da associação formada pelos vitivinicultores.


    Em março de 2010 nasceu a Rede de Vinícolas do Alto Uruguai, integrada por 12 pequenas empresas produtoras de vinhos e sucos de uva da região, distribuídas entre os municípios de Sarandi, Barra Funda, Rondinha, Três Palmeiras, Ametista do Sul, Alpestre e Planalto.

    Em conjunto, elas são responsáveis pelo cultivo de 140 hectares de videiras para vinhos de mesa e sucos e vinhos finos e espumantes, com os varietais cabernet sauvignon, tannat, touriga nacional, ancelota, moscato e chardonnay. 
    Paisagem da região/Alpestre/Prefeitura Municipal/Divulgação

    A associação busca a qualificação gerencial e de produtos, acesso a novas tecnologias e abertura de novos mercados.O empreendimento é fruto de parceria entre a Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai (URI), campus de Frederico Westphalen, e a Secretaria de Desenvolvimento e Assuntos Internacionais do Estado do RS (Sedai), através do programa Redes de Cooperação.

    Entre as ações já implementadas estão a criação da marca de identidade regional e material  publicitário,  capacitação inicial em marketing e parcerias para análise de produtos com a Universidade Regional.

    Dia 10, em Três Palmeiras, na sede da Vinícola Antônio Dias, será lançado o Projeto Vinhos do Alto Uruguai e Sucos do Alto Uruguai. A Rede de Vinícolas busca crescer e se fortalecer apostando nas parcerias com entidades público-privadas. E também já visualiza conseguir num futuro próximo, a indicação de procedência, o que consolidará a região como produtora de vinhos, sucos e espumantes.
     
    No campo do turismo, a região conta com uma atração inédita: se em Champagne, na França, os vinhos repousam em caves subterrâneas escavadas na rocha de calcário, no município de Ametista alguns vinicultores estão usando galerias de minas abandonadas para a guarda do produto, que deve se beneficiar da baixa temperatura do ambiente.
    Vinhos em galerias de minas desativadas/URI/Divulgação

    Associados da Rede de Vinícolas:
    • Vinhos Finos Antônio Dias - Três Palmeiras
    • Sucos Tedesco - Rondinha
    • Vinícola Dom Gentil - Barra Funda
    • Sucos Tolotti - Barra Funda
    • Vinhos Vizini - Sarandi
    • Sucos Vitis - Sarandi
    • Sucos Carbonari - Sarandi
    • Aghata Vinhos Finos - Ametista do Sul
    • Cooperametista - Ametista do Sul
    • Cooper Bom Pastor - Planalto
    • Vinhos Cave de Cristal - Planalto
    • Vinhos Menzen - Alpestre

    28 de nov. de 2010

    ARGENTINA DECLARA O VINHO COMO "BEBIDA NACIONAL"

    Assinatura do decreto/Corporación Vitivinícola Argentina/divulgação
    A presidente da Argentina, Cristina Kirchner assinou na quarta-feira, dia 24 de novembro, o decreto que declara o vinho a bebida nacional do país. "O vinho é um elemento básico da identidade e da cultura argentina", diz o documento.

    Em pronunciamento, a presidente destacou que a vitivinicultura argentina tem cinco séculos de história,  conseguindo integrar a tradição dos imigrantes europeus com os saberes dos povos originários. Referiu também que as ótimas condições de solo e clima favoreceram o desenvolvimento e aperfeiçoamento da atividade, com grande importância na vida econômica das províncias do oeste argentino e reflexos em outras economias regionais.

    "O vino argentino é um honrado embaixador do país no mundo, orgulhando os argentinos, que bebem no mercado doméstico os mesmos vinhos que se exportam e que prestigiam o país em todos os continentes", disse ainda Cristina Kirchner.

    Além disso, salientou que o vinho integra a cesta básica de todos os setores sócio-econômicos do país. Na solenidade estiveram presentes os governadores das províncias vitivinícolas de Mendoza, San Juan, La Rioja, Salta e Neuquén e os proprietários de vinícolas históricas tais como Bianchi, Pulenta, Canale, Crotto e Grafigna.

    Atualmente a Argentina tem 229 mil hectares de vinhedos e mais de 1.000 vinícolas em funcionamento. Nos anos década de 90 realizou uma reconversão vitivinícola, com a plantação de varietais de alta qualidade enológica, e incorporou tecnologia em todas as etapas de produção, qualificando também a mão-de-obra.
    Vinhedo em Mendoza/Corporación Vitivinícola Argentina/divulgação

    O país comercializa 1,3 bilhão de litros de vinho por ano, o que representa 5% do mercado mundial de vinhos. O faturamento alcança 2,6 bilhões de dólares, dos quais 77% são gerados no mercado interno e 23% por exportações, segundo dados do economista Guillermo Banfi, citado pelo informativo on line Area del vino, de Mendoza.

    Estados Unidos e Canadá são os destinos de mais de 50% das exportações argentinas. Entre os maiores exportadores do mundo, o país está em 9º lugar.  No ranking mundial do consumo, a Argentina ocupa o 7º lugar, com 30 litros anuais por pessoa.


    "UM VINHO, MIL FALAS" -  CAMPANHA PARA RECONQUISTAR ESPAÇO PERDIDO


    "Un vino, mil charlas" é o slogan da campanha publicitária 2010-2011 lançada na Argentina para promover o consumo interno de vinho. Foram produzidos 12 comerciais de 50 segundos para TV e Internet.

    A produção mostra um almoço em família, em que participam diversos personagens, falando sobre  assuntos da vida cotidiana. O inusitado é que o idioma utilizado na conversa é o esperanto, com legendas em espanhol.

    Cada filmete apresenta o mesmo áudio, porém legendas diferentes, constituindo-se assim os vários temas. As imagens se encerram com os dizeres  da plataforma publicitária "Vinho Argentino. Um bom vinho" e, ao fim,  "Declarado bebida nacional".

    Corporación Vitivinícola Argentina/divulgação

    A idéia, segundo o diretor publicitário Carlos Perez, da agência BBDO Argentina, citado em Area del Vino,  é mostrar que, com vinho à mesa, podem nascer mil conversas. "É a única bebida alcoólica que tem essa propriedade. Outras geram euforia e gritos, mas o vinho convida a compartilhar e conversar".

    O objetivo da campanha é promover o consumo interno de vinho na Argentina e recuperar o mercado perdido para a cerveja. Até 1967, os argentinos consumiam 80 litros per capita de vinho e apenas 10 de cerveja. A partir de  2003, os dados sobre o consumo mostraram uma inversão, a cerveja chegando a 35 litros per capita e o vinho ficando em 30 litros.

    Cenas da produção/Corporación Vitivinícola Argentina/divulgação

    Esta é a quarta campanha lançada desde 2005 pelo Fundo Vitivinícola de Mendoza. Nesta produção, a escolha por cenas atuais e cotidianas busca comunicar os valores do vinho, em todas gamas e variedades, com cenas simples e familiares,  afastando a idéia de elitismo.

    Link para um dos filmes: http://www.youtube.com/watch?v=b-XI_CeoS3U