28 de set. de 2011

REVELADOS OS 16 VINHOS MAIS REPRESENTATIVOS DA SAFRA 2011

UM EVENTO PARA ENTRAR NO GUINESS BOOK
A 19ª Avaliação Nacional de Vinhos - Edição 2011, realizada sábado último em Bento Gonçalves, RS, foi mais do que a revelação dos 16 vinhos finos representativos da safra 2011 no Brasil.

O público presente transformou-a no maior evento de degustação coletiva de que se tem notícia no mundo, com 820 participantes de todos os pontos do Brasil e de vários países estrangeiros.

Para o comentarista italiano Roberto Rabachino, da Federação de Sommelier Fisar Internacional, o evento deveria ser inscrito no Guiness Book, pela sua singularidade.

Nesta edição dominaram os vinhos do Rio Grande do Sul, a maior região produtora do país, em todas as seis categorias do certame.

Entre as surpresas do ano, estão um vinho tinto de uvas Tannat, da Região da Campanha,  um  Sirah e dois Merlot, da Serra Gaúcha, além de um Chardonnay e um Moscato Giallo, também da Serra Gaúcha, que receberam as maiores notas dos comentaristas, todas acima de 90 pontos.

Para os degustadores convidados, representando enólogos, sommeliers, jornalistas e enófilos, foi unânime a impressão sobre a alta qualidade das amostras que compuseram os 16 vinhos selecionados e a opinião de que a produção nacional de vinhos "está no bom caminho".

Mostrando a crescente tecnificação da enologia brasileira, todos os 16 vinhos do painel indicaram a utilização de leveduras selecionadas, para extração das melhores características do varietal. Entre os vinhos brancos, o grau alcóolico médio ficou em torno de 12º GL, o que indica a evolução para a produção de vinhos leves e frutados, próprios para o consumo em regiões tropicais, como é caso do Brasil. O Chardonnay da Vinícola Don Gionanni, fermentado em barrica, obteve a nota mais alta dentre os degustadores comentaristas, na categoria vinho branco seco não aromático.

Entre os vinhos tintos, o grau alcóolico médio ficou em torno de 13,1º GL, excetuando-se um Tannat da Região da Campanha (Seival Estate), fruto de dois processos separados de maceração, que alcançou 14º GL, e um Cabernet Sauvignon de vinícola da região dos Campos de Cima da Serra (Rasip), com 14,2º GL. Os três vinhos Merlot incluídos no painel receberam muitos elogios, indicando uma tendência de preferência para o mercado. Os aromas de passagem por madeira se mostraram discretos, talvez porque são vinhos da safra, aguardando o tempo pretendido para maturação.

Um fato inusitado, foi a amostra de um vinho tinto ter apresentado fortes sinais de redução, indicando-se urgente oxigenação, situação referida pela enóloga comentarista uruguaia Estela de Fructos, que, no entanto, identificou na amostra qualidades superiores de coloração, estrutura e paladar (Tannat, Vinícola Gheller).

Para as próximas avaliações, é imperativo considerar que as vinícolas passem a indicar a região donde procedem as uvas que resultaram nos vinhos submetidos ao certame.

Atualmente, apenas as regiões de Indicação Geográfica definida (Vale dos Vinhedos e Pinto Bandeira), que utilizam o selo IG estão adstritas à utilização de uvas do seu território. Muitas vinícolas, embora situadas na Serra Gaúcha, estão vinificando uvas trazidas da Serra do Sudeste e da Campanha, onde se espalha a produção de uvas velozmente.

Por uma questão de transparência e reconhecimento, o ideal seria que a origem dos varietais fosse informada, pois ajudaria a assentar indicadores de qualidade e valorização para todo o estado do Rio Grande do Sul.

UMA SELEÇÃO SINGULAR

 A Avaliação Nacional de Vinhos, promovida pela Associação Brasileira de Enologia, tem um caráter de ineditismo. Das 383 amostras de vinhos submetidas por 72 empresas vinícolas dos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Minas Gerais e Bahia, foram selecionadas 30 e depois 16, observando critérios de qualidade (aspecto, olfato, paladar) preconizados pela Organização Internacional do Vinho (OIV) e  União Internacional dos Enólogos.

Ocorreram 16 sessões de análise, às cegas (apenas era informada a categoria do vinho), em instalações especializadas da Embrapa, empregando 113 enólogos profissionais de várias empresas, divididos em quatro grupos, entre os dias 5 a 26 de agosto.
No dia do evento foram apresentadas à mesa de comentaristas convidados e ao público presente as amostras enumeradas de 1 a 16. Sem saber da procedência do vinho, ou das notas que recebeu na seleção dos enólogos profissionais, cabia a cada degustador comentarista manifestar a sua análise.



O processo era acompanhado pelo público inscrito, que recebeu fichas e taças, para também fazer a sua avaliação. Ao fim de alguns minutos, o comentarista apresentava suas considerações e nota, que o participante podia cotejar com a nota da seleção dos enólogos profissionais, com a média dos outros comentaristas e com as suas próprias. Apenas ao final de todo o processo revelou-se o nome das 16 vinícolas selecionadas no painel,  quebrando-se aí o clima de suspense e abrindo-se espaço às comemorações.


Nesse tipo de degustação, para evitar que o participante perca a capacidade de análise, o vinho experimentado deve ser cuspido em recipiente apropriado disposto junto às mesas. Algo duro de se fazer, para quem não é profissional, diante da tentação representada pela qualidade de praticamente todos os vinhos apresentados...

É preciso dizer que todas as amostras do painel são de vinhos que ainda encontram-se em tanques ou barricas nas vinícolas, aguardando a maturidade ou o momento mais adequado para o engarrafamento. Apenas o Moscato Giallo, da Vinícola Don Guerino já encontra-se em garrafa e sendo comercializado.


Painel dos 16 vinhos mais representativos da safra 2011

CATEGORIA VINHO BASE PARA ESPUMANTE
1 - Chardonnay
Domno do Brasil (Garibaldi, RS    )
2 - Chardonnay
Casa Valduga (Bento Gonçalves, RS)
CATEGORIA BRANCO FINO SECO NÃO AROMÁTICO
3 - Riesling Itálico
Cooperativa Vinícola Aurora (Bento Gonçalves, RS)
4 - Chardonnay
Cooperativa Vinícola Nova Aliança (Caxias do Sul, RS)
5 - Chardonnay
Vinícola Góes & Venturini (Flores da Cunha, RS)
6 - Chardonnay
Vinícola Don Giovanni (Bento Gonçalves, RS)
CATEGORIA BRANCO FINO SECO AROMÁTICO
7 - Moscato R2
Vinícola Perini (Farroupilha, RS)
8 - Moscatto Giallo
Vinícola Don Guerino (Alto Feliz, RS)
CATEGORIA ROSÉ SECO
9 - Rosé (Cabernet Sauvignon)
Vinícola Almadén (Santana do Livramento,RS)
CATEGORIA TINTO FINO SECO JOVEM
10 - Merlot
Vinhos Salton (Bento Gonçalves, RS)
CATEGORIA TINTO FINO SECO
11 - Merlot
Basso Vinhos e Espumantes (Flores da Cunha,RS)
12 - Merlot
Luiz Argenta Vinhos Finos (Flores da Cunha,RS)
13 - Cabernet Sauvignon
Rasip Agropastoril (Vacaria, RS)
14 –Syrah
Vinícola Almaúnica (Bento Gonçalves, RS)
15 - Tannat
Vinícola Gheller (Guaporé,RS)
16 - Tannat
Seival Estate (Candiota, RS)

5 de set. de 2011

COMEÇAM A DESPONTAR OS VINHOS COM SELO ORGÂNICO

OS VINHOS DA AGRICULTURA FAMILIAR NA EXPOINTER 2011

A cada ano, aumenta a participação da agricultura familiar na maior feira agropecuária da América Latina - a Expointer, realizada em Esteio, no Rio Grande do Sul. 

Na edição 2011,encerrada ontem, estiveram presentes 125 agroindústrias no Pavilhão da Agricultura Familiar, entre elas uma dezena de pequenos produtores de vinho e suco de uva,representativos de um universo de centenas de viticultores pertencentes a este segmento, existentes no estado.












A feira mostrou que, mesmo timidamente, começam a despontar os vinhos com selo orgânico originários da agricultura familiar, com duas vinícolas participando da exposição. Nessa categoria, há vinhos de uvas americanas ou híbridas, como os da Cooperativa de Produtores Ecologistas de Garibaldi (Coopeg), com as variedades Bordô, Isabela, Niagara e Lorena. A cooperativa também produz suco de uva orgânico.

Já a Cooperativa Agropecuária Vida Natural (Coopernatural),de Picada Café, apresenta o varietal Cabernet Sauvignon "Hex von Wein" 2007, frutado, com taninos médios e boa permanência, um vinho que deve ser aberto com antecedência para arejar e servido refrescado. Também se destacam os sucos orgânicos da Coopernatural (uva, laranja, amora, pêssego). Outro produto com selo orgânico vem de Ivoti, é o suco de uva Rota 48, alusivo ao caminho turístico Rota Colonial. 


Todos os produtos mencionados são certificados com selo orgânico por instituições avaliadoras nacionais credenciadas.

As demais vinícolas que expuseram no Pavilhão da Agricultura Familiar produzem, em sua maioria, de vinhos de uvas americanas e híbridas, mas há também vinhos de varietais como Cabernet Sauvignon e Merlot, entre outros.

Coopeg (Garibaldi)
Coopernatural (Picada Café)
Mascarello (Flores da Cunha)
Bassani (Fagundes Varela)




















De Bastiani (Nova Roma do Sul)



De Lucca (Farroupilha)
Turra (Três de Maio)






Slongo (Erechim)


 
                 Granja da Telha (Canela)


 
Rota 48 (Ivoti)

28 de ago. de 2011

UM VERDADEIRO AMIGO DO VINHO !

PORTO ALEGRE TEM RESTAURANTE QUE NÃO COBRA SERVIÇO DE ROLHA

O restaurante Casa Vecchia, especializado em comida italiana, é certamente o único restaurante de Porto Alegre onde o cliente pode levar a sua própria garrafa de vinho, sem ter de preocupar-se com o custo do serviço de rolha.

A proposta surgiu quando o restaurante foi reaberto há sete anos, em uma nova casa, na  rua Auxiliadora, no bairro de mesmo nome. É o lugar ideal para degustar aquele vinho reservado para uma oportunidade especial, que poderá ser acompanhado de pratos de massas e carnes de ótima qualidade.

Gerson Afonso de Lima Júnior, que gerencia a casa junto com pai, diz que os clientes ficam surpresos com a possibilidade de trazer um vinho de sua especial predileção, sem passar por constrangimentos. "A maioria adora. Temos clientes que chegam a vir duas vezes por semana".

A casa tem também sua própria carta de vinhos, com 40 rótulos, elaborada por loja especializada.Todas as massas e molhos são de elaboração própria. São oferecidos antepastos, 12 tipos de massas e 14 variedades de molhos e ainda pratos com filés, vitela, frango, peixes e frutos do mar, com acompanhamentos diversos.

O salão tem estilo clássico e elegante, com poltronas de palhinha confortáveis e que dão aspecto aconchegante ao ambiente. Localização: Rua Auxiliadora, 176. Informações pelos telefones 3342-1004 e 3342-8891.




11 de ago. de 2011

ARQUITETURA DE INVERNO DO VINHEDO GAÚCHO


No inverno, o desenho severo do vinhedo  impressiona o observador. Recolhidas, as videiras suportam os duros elementos da estação: chuva fria, ar congelante, geada espessa. Troncos e ramos desnudos são sombrios esqueletos em contraluz, linhas desanimadas de um cemitério vegetal. Mas a desolação de um jardim sem folhas pode ter beleza em sua arquitetura. Em meio inverno transcorrido, a paisagem de agruras ainda se mantém. De seu lado, os vinhateiros olham pacíficos a passagem dos dias. Eles sabem que na videira áspera se esconde vida em repouso, aguardando irromper.
 

 

 
 

28 de jul. de 2011

UMA INTRODUÇÃO AOS VINHOS DA ITÁLIA

O curso Enografia Italiana- vinhos tranquilos, realizado neste mês na Escola de Gastronomia de Flores da Cunha (RS), ofereceu um conjunto de informações sobre as regiões vitivinícolas mais importantes da Itália e uma degustação guiada de 15 vinhos representativos dessas regiões. 
 
.O jornalista e sommelier italiano, professor doutor Roberto Rabachino, da Federazione Italiana Sommelier Albergatori Ristoratori (Fisar), conduziu o estudo, com o apoio, para tradução simultânea, do enólogo e doutor em Enologia, Eduardo Scortegagna.  A Fisar mantém convênio com a Escola de Gastronomia, instituída há sete anos em Flores da Cunha pela Universidade de Caxias do Sul (UCS).Rabachino ministra cursos em vários países como representante internacional da Fisar, cujos certificados são acreditados pela Europe Academy for Education. Na Escola são ministrados cursos de Sommelier Básico e Avançado, além de diversos níveis de Cozinha Italiana.

Não há região na Itália onde não sejam plantadas uvas, mas por lei é proibido o cultivo de espécies que não sejam vitiviníferas (vitis vinifera), ao contrário do Brasil, onde a produção  se desenvolveu historicamente a partir de uvas americanas (vitis labrusca e riparia). A vitivinicultura tem grande importância no sistema agroalimentar do país e, junto com o enoturismo, está em primeiro lugar no ingresso de divisas, constituindo a parte mais importante no Produto Interno Bruto (PIB) da Itália.


 Os vinhos degustados são procedentes das regiões norte, centro, sul e ilhas, fazendo parte de uma seleção de vinhos italianos elaborada pela Fisar e ministérios do governo italiano, para os eventos realizados este ano por ocasião das comemorações dos 150 anos da unificação da Itália.

Durante o curso, o professor Rabachino ofereceu um regalo aos alunos: a degustação de um grande vinho, não previsto na listagem inicial: Tenuta Friggiali Brunello de Montalcino  2004, da famosa produtora Donatella Colombini, elaborado a partir de uvas sangiovese grosso. Um vinho com passagem de no mínimo 24 meses em barricas de carvalho e 24 meses de garrafa, com aromas de ameixas maduras, chocolate, tabaco, café e couro e muito equilibrado em boca.

14 de jul. de 2011

SENAC-RS ABRE CURSO DE SOMMELIER

Cumprindo a sua missão formadora de profissionais para a área terciária, o Senac-RS acaba de lançar o Curso de Formação de Sommelier,  com programa estendido de 160 horas.

Um profissional cada vez mais requisitado na área de gastronomia, o sommelier é tradicionalmente o encarregado do serviço de vinhos e bebidas no restaurante, com a função de oferecer as mais adequadas opções de harmonização comida-bebida.


O atual crescimento da atividade vitivinícola, do consumo de vinhos e do turismo nas regiões produtoras, abriu também outras opções de trabalho para o sommelier.

O profissional está preparado para ser o tradutor e promotor do mundo de aromas, sabores e tipologias de vinhos  atuando em outros ambientes de trabalho, como lojas, enotecas e importadoras.
  
Curso: Formação de Sommelier
Faculdade de Tecnologia Senac-RS
Rua Coronel Genuíno, 130 - Centro - Porto Alegre,RS -  Tel. (51) 3022-1044
Custo: R$5.325,00 - 12xR$443,75 . Período: 6 de agosto a 17 de dezembro de 2011, com aulas aos sábados, manhã e tarde. Vagas: 20 . E-mail: fatec_poa@senacrs.com.br

OUTRAS OPÇÕES DE FORMAÇÃO NO RS

Em Bento Gonçalves, a unidade do Senac-RS  oferece o mesmo curso, com aulas às quartas, quintas e sextas-feiras, à noite, de 3 de agosto a 9 de dezembro de 2011, com 15 vagas e custo de R$3.890,00 (14x R$278,0).

Na cidade de Flores da Cunha estão abertas as inscrições para o curso Sommelier Internacional FISAR - Formação Básica, que será ministrado na Escola de Gastronomia UCS-ICIF, 26 de setembro a 1° de outubro de 2011 (uma semana, de segunda-feira a sábado), com aulas das 9h às 17h e carga horária de 55 horas. A FISAR é uma associação italiana com o reconhecimento para a certificação de Sommelier Básico Internacional, Sommelier Profissional e Degustador de Vinhos.
Curso: Sommelier Internacional - Formação Básica
Escola de Gastronomia UCS-ICIF
Av. da Vindima, nº 1000. Parque de Eventos Eloy Kunz. Flores da Cunha - RS
Secretaria da Escola - (+5554) 3292-1188 - E-mail: gastronomia@ucs.br
Vagas:  24. Custo: R$ 3.150,00 sem hospedagem e R$ 3.605,00 com hospedagem. 

26 de jun. de 2011

Governo de São Paulo tem programa para revitalizar a produção de uvas e vinhos

Maior mercado consumidor de vinhos do Brasil, o estado de São Paulo quer também melhorar sua situação no polo de produção da bebida.

Marcando o segundo ano do Programa Pró-Vinho, projeto de revitalização da cadeia vitivinícola do estado de São Paulo, foi lançado o livro Vinhedo Paulista, com o objetivo de apoiar e incentivar os segmentos envolvidos na atividade.

Dentre os objetivos do programa estão a formatação de um projeto coletivo visando a construção da identidade do vinho paulista e ao desenvolvimento da região.

O projeto é uma parceria entre a Secretaria de Agricultura e Abastecimento do estado de São Paulo, Federação das Indústrias (Fiesp), sindicatos, associações e cooperativas de produtores de uva e vinho e prefeituras municipais.Em paralelo ao programa, foi criado o Instituto Paulista de Vitivinicultura e a Câmara Setorial da Uva e do Vinho do estado.

A atividade vitivinícola paulista caracteriza-se pela produção de uvas de mesa e vinhos de uvas americanas e híbridas, mas na última década, registrou estagnação em relação ao crescimento apresentado pelas outras regiões, nas quais se intensificaram os esforços pela valorização de vinhos de qualidade, com identidade territorial.

Publicado pela Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati), da Secretaria de Agricultura, Vinhedo Paulista está dividido em três partes: desenvolvimento histórico da vitivinicultura paulista; aspectos técnicos da implantação e manejo; e vinificação.


Berço da vitivinicultura nacional - há registro de produção de vinho no planalto de Piratininga em 1551, por Braz Cubas - em São Paulo, a atividade existiu discretamente como cultura doméstica ao longo dos séculos XVII e XVIII. No século XIX ressurgiu, entre 1830 e 1840, com a difusão e entrada em São Paulo, das variedades de uvas americanas, especialmente a Isabel, em chácaras e fazendas nos arredores da capital. Passou a ter importância econômica no estado, apenas no final  do século XIX, quando os imigrantes italianos, liberados das fazendas de café, puderam dedicar-se à atividade, integrada à sua cultura e história.


Dos 85% de vinhos de mesa comuns produzidos no Brasil, 60% são comercializados em São Paulo, e dos restantes 15% de vinhos finos, o maior mercado consumidor também é o paulista. O Rio Grande do Sul é responsável por cerca de 90% da produção de vinhos e sucos de uva nacionais.

19 de jun. de 2011

O selo fiscal, o mercado e o consumo de vinho

                                                                                                                                                                             
Como efeito do selo, importados de baixo preço podem ceder espaço no mercado

Quando se lançou a exigência do selo fiscal aos vinhos vendidos no mercado brasileiro, muito se falou em contenção do contrabando, que promovia concorrência ilegal, e em garantia de qualidade da bebida nacional, contra possíveis falsificações. Em realidade, o que estariam pretendendo os artífices da medida era criar um mecanismo para afastar a concorrência dos vinhos estrangeiros de baixo preço, especialmente dos originários da Argentina e do Chile. Esse mercado de vinhos varietais de baixo preço é um mercado em que a indústria nacional não consegue, por ora, concorrer com os importados, por falta de volume. 

A exigência do selo fiscal, de fato, retraiu as importações a partir de 2011, e resultou, concretamente, em um novo elemento a agregar-se ao custo do produto para os importadores, o que deverá refletir-se mais adiante nos preços de prateleira. A determinação de implantar o selo fiscal aos vinhos nacionais e estrangeiros teve como efeito, entre 2009 e 2010, um espetacular aumento preventivo da importação de vinhos estrangeiros, especialmente chilenos e argentinos, que inundaram e ainda inundam as gôndolas dos supermercados brasileiros.

Até o final do ano, o atacado e o varejo terão de livrar-se desses estoques importados sem a estampilha oficial, pois a partir de 1º de janeiro de 2012, todas as garrafas de vinho expostas à venda deverão estar seladas. As novas importações, em 2011, já estão vindo com o selo, colocado na chegada às aduanas brasileiras, de responsabilidade dos importadores. Desde junho, pelo menos os vinhos argentinos são despachados selados já na origem, por acordo de governos.

Nesse intervalo de tempo, a indústria vinícola nacional aumentou e diversificou a sua produção e intensificou as campanhas e eventos de promoção de consumo, por meio da sua entidade oficial. Os setores produtivos também se beneficiam do verdadeiro boom de consumo que se verifica no Brasil, com o aumento do poder aquisitivo das classes C e D e E, numa realidade em que vinhos e espumantes representam objeto de status e de desejo para os novos consumidores.

Mas, em relação ao consumo, a análise das importações originárias dos países vizinhos até o momento está revelando uma tendência interessante. Os argentinos reconhecem a retração nas importações brasileiras - no comparativo 2010-2011, entre janeiro e maio cairam quase 9% em volume, mas em valor aumentaram quase 4%, segundo notícia de 9 de junho da publicação eletrônica Dia a Dia del Vino, de Mendoza. Para o Chile, no mesmo período, a situação foi pior: queda de 16% em volume e 2% em valor. Mas a partir de maio, começou uma recuperação em valor para os dois países, pois 70% das vendas para o Brasil são feitas no inverno, entre abril e agosto.

E o que está se verificando, segundo os bodegueiros argentinos citados na notícia, é que o preço médio dos vinhos vendidos ao Brasil vem crescendo ano a ano. Os segmentos de preços baixos estariam perdendo volume, mas a faixa de preços médio-alto, de 26 a 35 dólares a caixa de vinho estaria muito ativa. Eles também consideram significativa a movimentação de vendas de vinho da faixa entre 39 e 60 dólares a caixa. Concluem que o brasileiro está aprendendo a desfrutar de vinhos mais complexos e aceitando pagar mais por vinhos de maior qualidade. Se essa tendência realmente  se confirmar, então, com ou sem selo fiscal, dentro de um prazo ainda não conhecido, o mercado de vinhos varietais de baixo preço poderia finalmente passar ao domínio da produção nacional.

22 de mai. de 2011

VINHEDOS INICIAM O REPOUSO HIBERNAL NO OUTONO



O CICLO DA VIDE  - O CICLO DA VIDA


Com a chegada dos primeiros dias frios do outono, em maio, as videiras começam a entrar no período chamado de  repouso hibernal.

Depois da brotação, crescimento, florescimento e frutificação, etapas em que despendeu o máximo de sua força vegetativa,  a videira encerra um ciclo.


 

Nas regiões de clima temperado, como no Rio Grande do Sul,  a  queda de temperatura e o encurtamento dos dias (menos horas de luz solar) que caracterizam o outono e inverno, fazem com que a videira reduza drasticamente o seu metabolismo.

  
  Reservas de nutrientes migram das folhas e ramos jovens e se acumulam nos ramos mais velhos, no caule e nas raízes. A produção de clorofila é paralisada e as folhas tornam-se amareladas e avermelhadas.



Nesse momento, a videira processa um hormônio vegetal chamado ácido abscísico, que se concentra na base da haste das folhas, provocando a morte das células da região e, em seguida a queda da folha.

Assim inicia-se o repouso hibernal da videira, momento em que ocorrem reações bioquímicas na planta fundamentais para que se inicie, mais adiante, uma nova fase de crescimento. As baixas temperaturas são essenciais para que esse acúmulo de energia possa se  expressar em um novo ciclo, na primavera, quando a vide / a vida se renova.







(Vide- videira - vinha - parreira: planta cujo fruto é a uva)

9 de mai. de 2011

FENAVINHO BRASIL 2011

Estilização da Pipa-Pórtico de Bento Gonçalves
O VINHO DA MAIOR FEIRA NACIONAL TEM GOSTO GAÚCHO

 A Fenavinho Brasil 2011, encerrada domingo, dia 8 de maio, em Bento Gonçalves,  apesar de sua abrangência  nacional,  é, em realidade a maior festa-feira de vinhos do Rio Grande do Sul, estado onde se produz cerca de  90% dos vinhos do Brasil.

Lá estavam os três maiores estabelecimentos vinícolas do país (Miolo, Salton e Cooperativa Aurora) um punhado de empresas de prestigio, e outro tanto entre médias, pequenas e iniciantes, sediadas no Rio Grande do Sul. É, sem dúvida, a expressão mais importante da cultura e da arte de fazer vinhos do sul brasileiro.

No sentido festa, o evento contou com atrações relacionadas à história da imigração e do legado italiano, com apresentações típicas, exposições e opções de gastronomia. A feira proporcionou o contato direto com as 42 vinícolas expositoras, permitindo a degustação e a compra de vinhos, espumantes e suco de uva.  Em paralelo, foram realizados cursos de degustação e expostos produtos da agroindústria familiar e variedades. Também ocorreram rodadas de negócios entre vinícolas e compradores interessados.

Nesta edição da Fenavinho, como já ocorreu anteriormente, vários estabelecimentos prestigiados não compareceram, talvez preferindo guardar seus investimentos para outras iniciativas de projeção. Mas algumas médias e pequenas e desconhecidas vinícolas souberam aproveitar o momento para mostrar sua cara ao público e fazer vendas diretas e, especialmente, participar  das rodadas de negócio, abrindo novas oportunidades para escoar sua produção.
















BOAS SURPRESAS NA FESTA DO VINHO

No terreno dos espumantes  restou comprovada a imensa riqueza da produção vitivinícola gaúcha. É surpreendente a grande diversidade de propostas e composições, todas muito expressivas, revelando resultados de fazeres agronômicos, enológicos e humanos distintos entre si.

Eder Giaretta
Entre as jovens vinícolas, imperioso mencionar o Espumante Brut Giaretta, de um empreendimento que tem apenas três anos de existência, localizado em Guaporé, na serra do nordeste do Rio Grande do Sul. Premiado em 2009 no Concurso Mundial de Bruxellas, versão brasileira, realizado em São Paulo, e  no Concurso do Espumante Brasileiro da Associação Brasileira de Enologia em 2010, é um corte clássico de uvas Chardonnay, Pinot e Riesling. Elaborado pelo método Charmat, resultou num espumante de coloração amarelo palha brilhante, com delicioso aroma frutado,  perlage persistente, redondez e frescor.



  Outras surpresas vieram também de um empreendimento de menos de dez anos de existência, a Vinícola Bodega Copetti & Czarnobay, localizada na Serra do Sudeste gaúcho,  município de Encruzilhada do Sul, uma das novas regiões produtoras do Rio Grande do Sul.
 
O Espumante Copetti Brut Chardonnay é produzido com um corte de uvas Chardonnay e blanc de noirs (Cabernet Sauvignon e Merlot vinificadas em branco), pelo método Charmat longo, que lhe propicia uma característica estruturada, cremosa, frutada e fresca.

Também da Bodega é o recém lançado vinho tinto seco fino Alto das Figueiras Merlot 2009, com 13% vol. de álcool, que surpreende pela sua singularidade: coloração rubi intensa, olfato de frutas negras maduras, notas de baunilha e tostado, equilibrado e fresco, com taninos ainda um pouco adstringentes, pois o vinho foi engarrafado há poucas semanas apenas.O projeto de vitivinicultura foi iniciado em 2003 por André Copetti; em 2007 inaugurou-se a cantina e em 2009 ganhou a parceria do renomado enólogo Antônio Czarnobay.


A tradicional Vinícola Calza, localizada em Monte Belo do Sul, região do Vale dos Vinhedos, trouxe para a feira dois lançamentos : o Ouro Negro Malbec  2008, um vinho leve e macio, pronto para ser bebido e o Calza Tannat 2008, com mais estrutura e taninos, indicado para gastronomia mais pesada.Segundo Antoninho Calza Junior, as pessoas se surpreendem quando se deparam com um Malbec brasileiro, mas ele lembra que essa uva é bastante cultivada na serra gaúcha e dá bons resultados em anos propícios. 


 Da cantina experimental da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - Centro Nacional de Pesquisa Uva e Vinho, de Bento Gonçalves)  veio a linha Novas Regiões, vinhos de uvas da Região da Campanha ( Cabernet Sauvignon e Tannat) e dos Campos de Cima da Serra (Merlot). Com produção em pequena escala, a Adega Dom Eliziario, há poucos anos estabelecida no Vale dos Vinhedos, apresentou a segunda safra do Espumante Dom Eliziario Brut, processo Charmat, de uvas Chardonnay e Pinot Noir, de paladar frutado e fresco e perlage persistente.