29 de nov. de 2013

PINOT E COZINHA ÁRABE


Uma experiência agradável com comida e vinho a preços acessíveis

O local do jantar não estava bem definido. A idéia era ir a uma pizzaria diferenciada, mas no meio do caminho surgiu a sugestão de um restaurante que teve seu ambiente reformado, já há alguns anos, mas que nunca mais visitara desde então.

Casa de comida árabe! Era cedo, mas havia apenas uma mesa disponível. Já entrei conformada em acompanhar a comida com alguma cerveja artesanal, porém ao abrir a carta de bebidas, lá estava um interessante vinho tinto leve nacional de qualidade, acrescido de apenas 30% do preço de venda em supermercado/loja. Inacreditável!

Escolhidos os pratos,  o imperativo foi arriscar na bebida. Que venha o Pinot Noir Pinto Bandeira Aurora 2012, com selo de Indicação de Procedência,  para fazer companhia ao Risoto árabe e ao Chanclixi à moda, acompanhado de pães árabes, azeite de oliva e molho de alho!


E não é que o Pinot Noir Pinto Bandeira Aurora deu conta dos sabores fortes da comida, combinando perfeitamente com a acidez do queijo árabe dissolvido na salada Chanclixi, de cebola, tomate e ervas, e com o suave risoto de carne e salsa, mais os pães com azeite e uma pitada de molho de alho?

Com o espírito e o estômago reconfortados pela singela experiência, saí acreditando que é possível encontrar locais onde se combinam preços acessíveis, comida boa e vinho.

E sejam louvados Al Nur restaurante árabe e Sommelier Vinhos, responsável pela carta de vinhos da casa, por oferecerem o Pinot Noir Pinto Bandeira Aurora a corretos R$42,90 a garrafa, o mesmo vinho que é encontrado a R$34,90 em um tradicional supermercado de classe média-alta de Porto Alegre. Convenhamos, uma diferença mínima, diante de margens de preços para vinhos que costumam passar de 150%  em outros restaurantes, tomando por base a oferta do mesmo produto no varejo.

E ainda,  vinho acrescido do selo de Indicação de Procedência de Pinto Bandeira, uma garantia de qualidade do produto. Só podem usar o selo os vinhos produzidos conforme os exigentes requerimentos estabelecidos pelo conselho regulador da associação de vitivinicultores, representando as melhores características da região produtora.

Mas nunca esquecer que toda experiência com vinho é algo único, dependente do estado de espírito, do lugar, da companhia.  Miguel Brascó, do Anuário Brascó-Portelli de Vinhos Argentinos, já  apontou. Beber vinho é uma experiência subjetiva, não há regras, nem receitas. O vinho eleva uma refeição, é bebida de convívio, de boa companhia. “ Não são vinhos, são garrafas. Não são garrafas, são taças. Não são taças, são situações. Não são situações...são companhias...", diz ele em seus mandamentos do vinho.


13 de jul. de 2013

A BATALHA DO VINHO NOS SUPERMERCADOS

SOBRE A VENDA DE VINHOS PREMIUM NO VAREJO
 
Os negócios do vinho se intensificam sensivelmente no inverno, no Brasil. Indústria nacional e produtos estrangeiros disputam nesta estação climática um mercado interno cada vez mais interessado na bebida. Novos rótulos, promoções, jantares degustação, provas de vinhos em eventos abertos ao público, novas lojas, tudo movimenta o setor. É a época por excelência do vinho tinto, consumo estimulado especialmente pelo frio, no sudeste e sul do país.

Nos supermercados de Porto Alegre, desde o início do ano, a indústria nacional ampliou a oferta de produtos nacionais na faixa de preço de R$26,00 a 34,00. No mercado internacional de vinhos, garrafas nessa faixa de preço (entre 13 a 17 dólares ao consumidor) correspondem a segmentos médios/altos de preço e de atribuição de qualidade, chamados Premium. Os preços adotados pelo setor nacional correspondiam aos de uma já conhecida linha Reserva de importados (especialmente do Chile e Argentina) dominante há mais tempo nas grandes redes de distribuição (Casillero del Diablo, Santa Carolina, Santa Helena, Tarapacá, Senetiner, Bianchi, etc). 

Até maio, a indústria nacional ia tocando as suas novidades com certa desenvoltura. No entanto, entre junho e julho, as prateleiras do setor de vinhos em uma tradicional rede regional de super e hipermercados voltadas às classes médias-altas, coalharam-se de ofertas de rótulos argentinos e chilenos a preços incrivelmente atraentes. Entre eles, os de uma linha básica de varietais da tradicional e famosa Casa Silva, do Chile, importada diretamente pelo estabelecimento, oferecida a R$24,60 a garrafa.

De imediato, revelou-se evidente a preferência dos consumidores aos estoques de estrangeiros, até porque, de repente, os nacionais da mesma faixa estavam mais caros. Alguns destes reagiram com baixas de R$1,00 a R$2,00, mas um frenesi se instalou com a chegada do rótulo Nostro da vinícola chilena Indomita, a incríveis R$15,90 o Gran Reserva e R$14,90 o Reserva, um preço inusitadamente baixo para essas duas categorias, levando em conta os requerimentos que a legislação chilena faz em relação a elas.

OS PREMIUM NACIONAIS

Entre o final de 2012 e o início de 2013, simultaneamente, duas das quatro maiores indústrias de vinho brasileiro colocaram nos supermercados novos produtos a preços entre R$26,00 a 34,00.


Pela Cooperativa Vinícola Aurora renovou-se a linha “Aurora Reserva” (Chardonnay, Merlot, Cabernet Sauvignon, com passagem em barrica de carvalho declarada no contrarrótulo, na faixa de R$27-28); e surgiu a linha “Aurora – Pinto Bandeira Indicação de Procedência” (Pinot Noir e Chardonnay, cerca de R$33-34).

A Vinícola Salton, lançou a linha “Salton Intenso Reserva Privada” (Cabernet Sauvignon, Merlot e Viognier-Sauvignon Blanc, na faixa de R$28-29), substituindo a linha Volpi, pelo menos nos supermercados.


Em 2012, a Vinícola Perini introduziu o “Perini Fração Única” (Cabernet Sauvignon, Merlot e Chardonnay, na faixa R$29-30). E há alguns anos, a Vinícola Miolo, já oferecia o “Reserva Miolo”, na faixa de R$26 – 27. Também há algum tempo, a Vinícola Boscato vem comercializando o seu “Boscato Reserva” a R$28-30. Outras produtoras, algumas de pequeno porte ou grandes, também introduziram vinhos isolados, nessa faixa de preço ou até em patamares mais elevados, como o Valduga Signature (R$34-35) e Boscato 2007 (R$39-40).

CONCORRENTES DIRETOS

Nessa faixa de preços, apareciam como concorrentes estrangeiros diretos Altos del Plata ( R$35-36); Trapiche Roble (R$35-36); Casillero del Diablo Reserva (R$29);Viu Manent Reserva (R$37-38), Nieto Senetiner Reserva (R$27-28); Latitud 33 (R$29-30); Septima (R$30); Santa Helena Reserva (R$30), entre outros.

A competição acirrou-se recentemente, pois os próprios supermercados aumentaram a importação direta. Além disso, o consumidor viu-se diante de novas opções de escolha. Às tradicionais marcas chilenas e argentinas juntaram-se etiquetas norte-americanas, alemãs, francesas e australianas - com preços semelhantes ou superiores à linha nacional Premium.


A batalha dos supermercados não é irrelevante. Atualmente 60% das vendas de vinho nos maiores países consumidores ocorrem nos canais de venda liderados por super e hipermercados, segundo uma pesquisa da agência Wine Intelligence, revelada na Winexpo – a maior feira de vinhos do mundo – encerrada em junho, na França. A pesquisa, citada pela publicação britânica The Appointment mostra ainda queda no consumo de vinho em bares e restaurantes, enquanto aumentam as vendas também em lojas especializadas e na internet. Foram avaliadas as tendências nos cinco maiores mercados de vinho do mundo (Estados Unidos, Inglaterra, Alemanha, França e China) entre 2007-2011 e indicadas as tendência para os próximos anos, até 2020.

SEGMENTAÇÃO DO MERCADO DE VINHOS

Desde 2002, o mercado internacional de vinhos - norte-americano e continental europeu, especialmente - guia-se por uma classificação de qualidade, cujo critério é o preço atribuído à garrafa à venda no varejo.
Essa classificação, resultante de um estudo da consultora Ernest e Young, difundida pelo banco de fomento Rabobank International e adotada pela agência norte-americana Wine Institute, estabeleceu patamares, em que o maior volume de produção corresponde ao menor preço.
Segmento
Varejo
ICONE
> 50
ULTRAPREMIUM
14-49
SUPERPREMIUM
8-13
PREMIUM
5-7
POPULAR PREMIUM
3-5
BÁSICO
< 3
Levando em conta essa classificação, os vinhos nacionais na faixa de R$26 a R$34, estariam posicionados no segmento de preços Superpremium internacional. Resta saber se os vinhos brasileiros - no mercado internacional - correspondem a essa mesma segmentação. A mesma questão se aplica aos vinhos argentinos e chilenos aqui comercializados. A escala do Rabobank tem sido adaptada regionalmente com referência ao dólar e outras moedas.

12 de fev. de 2013

BRANCO E TINTO

VINHOS DE PERSONALIDADE EM DUAS PROPOSTAS 
A PREÇOS ACESSÍVEIS


Riesling Renano  2012- Weingut Weinzierle    A pequena vinícola situada no interior de Nova Petrópolis, Serra Gaúcha, Rio Grande do Sul, já está vendendo a safra 2012 do vinho fino Riesling Renano produzido no país conforme os cânones alemães. 

O proprietário, Rolf Weinzierle, veio ao Brasil em novembro para acompanhar o engarrafamento, devendo permanecer na região até o fim de março do corrente ano. Para a vedação das 20 mil garrafas produzidas, Rolf importou da Alemanha um novo tipo de tampa-rosca, que considerou mais adequado para manter a tipicidade e qualidade do vinho Riesling Renano aqui elaborado.

A safra 2012 resultou num vinho de admirável frescor,  mais intenso na tradicional cor amarela com reflexos esverdeados, e aroma de frutas cítricas puxando a lima e limão.  A vinificação preservou cinco gramas de açúcar residual no tipo seco e permitiu 18 gramas no tipo meio-seco. Conforme a sugestão do contra-rótulo, vinhos ideais para acompanhar antepastos leves, peixes, saladas e queijos suaves. Teor alcóolico: 12% vol.

A vinícola centraliza suas vendas em Nova Petrópolis e atende pedidos pela internet.
Onde comprar:  Pub Miss Gayah - Av. 15 de Novembro, 1802 - Fone: (54) 3281- 4177 e Pousada Vila Rica, Av. 15 de Novembro, nº 2470 - Nova Petrópolis, RS, Brasil.


Preço médio: R$20,00


Merlot 2011 -  Valmarino  Vinho fino tinto seco com o selo de Indicação de Procedência (IP) produzido pela Vinícola Valmarino, no município de Pinto Bandeira, Serra Gaúcha, no Rio Grande do Sul. 

A Indicação de Procedência Pinto Bandeira foi conquistada em 2010, pela Associação de Produtores de Vinho de Pinto Bandeira - Asprovinho. As vinícolas filiadas seguem protocolos de produção específicos para garantir altos padrões determinados.

Fundada pela família, em 1997, a Valmarino conquistou um espaço importante entre os produtores de vinho de qualidade do Rio Grande do Sul, graças à filosofia de trabalho de Marco Antônio Salton, responsável técnico nos âmbitos vinhedo e vinificação, que sempre buscou elaborar um vinho o mais natural possível, expressando o terroir do local. 

 Valmarino revelou-se uma vinícola referência quando se fala em espumantes e vinhos Cabernet Franc, Merlot e Cabernet Sauvignon de alta linha, com inúmeros reconhecimentos e premiações. 

O Merlot 2011 Valmarino IP é um vinho da linha média que não faz concessões ao estilo adocicado de inúmeros outros produtos regionais dessa gama. 

Tem aroma frutado delicado, cor rubi intensa e boa acidez. Vinho jovem, os taninos ainda muito marcantes, mas já próprio para acompanhar uma refeição com sabores mais intensos. 

Como indica o contra-rótulo,vai ganhar com o envelhecimento. Teor Alcóolico de 12,5% vol.
Onde comprar: lojas de vinho e na vinícola.
Página na internet: www.valmarino.com.br
Atendimento ao consumidor: (54) 3452-2135
Preço na vinícola: R$25,00

28 de dez. de 2012

AFINAL, UM VINHO AUTÊNTICO O QUE É ?



As expressões "vinho autêntico" e "vinho natural" permeiam milhares de comentários, opiniões e material de publicidade, tentando traduzir, às vezes sem muito fundamento, qualidades que aportariam dignidade à bebida resultante de uvas fermentadas.

Buscando dar significados a esses termos, dois escritores britânicos publicaram em 2011 um extenso estudo sobre o tema. 

Nas 259 páginas do livro  "Authentic Wine - Toward Natural and Sustainable Winemaking", Jamie Goode, jornalista científico e comentarista de vinho em publicações inglesas, e Sam Harrop, Master of Wine, produtor de vinho e consultor independente em enologia, em países como Nova Zelândia, França, Inglaterra e Portugal, aprofundaram questões em torno do assunto.

Para Goode e Harrop, os elementos que referendariam um vinho "autêntico", são os seguintes, em resumo:
 
Viticultura sustentável. O vinhedo é encarado como um agroecosistema, favorecendo microorganismos, insetos e plantas que mantenham a saúde do solo; utilizando espaçamento e sistemas de condução apropriados, permitindo que o vinhedo alcance um equilíbrio natural.  


Maturação apropriada. Colheita na hora certa, para reter o frescor e a definição das uvas e evitar altos potenciais de álcool. 

Sensibilidade ambiental.Minimização da "pegada de carbono" (medida de impacto das atividades humanas quanto à emissão de gases de efeito estufa) em todos os estágios de produção, da uva à prateleira.


Produto livre de defeitos. Vigilância para prevenir defeitos do vinho que obscureçam e prejudiquem o sentido de lugar da produção.

Senso de lugar. Respeito ao "terroir", ou seja, atenção e escuta ao lugar do vinhedo, permitindo que se expresse no vinho.



Elaboração natural. Adições e manipulações mínimas,  com o objetivo de manter o sentido de lugar de produção do vinho.

Considerando esses fatores, apenas uma pequena gama de vinhos entraria no conceito de "vinho autêntico" de Goode e Harrop. Em realidade, a maioria dos vinhos são vinhos-commodities - como um produto agroindustrial qualquer - respondendo a demandas de um grande mercado consumidor, nacional e internacional.

A abordagem sustentável e mais natural, representada por umas poucas vinícolas, tende a quebrar a homogeneização e brindar vinhos com definição, complexidade e senso de pertencimento a um lugar. Porém, por enquanto, para um mercado muito restrito.

30 de nov. de 2012

CRESCE A LINHA DE VINHOS VARIETAIS A PREÇOS POPULARES

INDÚSTRIA VAI EM BUSCA DO CONSUMIDOR DE R$12,00

Depois de provar aos consumidores exigentes, à mídia especializada, e à alta gastronomia que "sabe" fazer bons (...mas caros...) vinhos, a indústria vinícola brasileira volta-se também para o consumidor comum interessado em vinho. Aquele que estava acostumado à bebida barata de uvas americanas nacional e a vinhos argentinos de custo irrisório e de elaboração duvidosa  -  ou por tradição, ou porque os varietais brasileiros estavam fora do alcance do seu bolso.


Necessidade de escoar os estoques,  caça aos novos consumidores,  fazer frente à concorrência de vinhos básicos argentinos e chilenos, a verdade é que,  desde o início de 2012, a indústria engordou a linha de vinhos varietais na faixa de R$12,00, antes reduzida à produção de umas poucas vinícolas. Os rótulos tem preços que variam entre R$8,50 a R$13,90. O resultado dessa oferta é perceptível  nas gôndolas dos supermercados e não se resume apenas a vinhos tranquilos.

Cresceu também o número de marcas de espumantes e vinhos frisantes nessa média de preço. Neste inverno, numa filial de uma grande rede de supermercados de Porto Alegre destinada a consumidores de classe A/B, mas frequentada crescentemente pela nova classe C, a área destinada a vinhos nacionais já era equivalente a de vinhos estrangeiros, tantas as novas opções inseridas nas gôndolas. Isso muito antes de encerrada a querela das salvaguardas aos vinhos nacionais, que culminou em acordo pelo apoio do varejo à maior exposição da produção nacional nas prateleiras...


Em geral, são vinhos simples, com alguma intensidade de aroma e sabor, a maioria corretamente elaborados, predominando um leque de varietais mais conhecidos, entre os quais Cabernet Sauvignon, Merlot, Chardonnay e Riesling.  

A novidade são os varietais tinto "doce", algo impensável até pouco tempo, quando o que fugia do "seco", apenas alcançava o "meio-seco", em se falando de varietais. O que se percebe é que aumenta a concessão que se faz ao gosto pelo adocicado da população brasileira, algo que, não entanto, não é apenas fenômeno nacional, mas corrente nos Estados Unidos e outros países. Daí, que até os "secos" estão no limite do que se pode enquadrar como tal, com paladar adocicado desde o início. Mas isso não é privilégio da linha de entrada de vinhos. Inclusive vinhos "premium" nacionais estão se enquadrando nessa tendência.


Dentre rótulos encontrados na faixa dos R$12,00 encontra-se inclusive um vinho premiado com medalha de ouro no VI Concurso Internacional de Vinhos do Brasil, realizado pela Associação Brasileira de Enologia, com jurados internacionais, em julho último, em Bento Gonçalves. É o Cabernet Sauvignon Virtus 2011 Monte Paschoal, seco.  Mas ainda há muitas opções de vinhos engarrafados, elaborados com uvas americanas, a preços mais baixos  (de R$6,00 a R$9,00), sinal de que esse segmento continua tendo importância econômica para a indústria.


Rótulos de varietais a preços populares encontrados em supermercado de Porto Alegre - vinhos tranquilos:
  • Almadén (Miolo Wines)- Cabernet Sauvignon (seco e suave),Shiraz,Tannat,Merlot, Riesling.
  • Arbo (Perini) - Cabernet Sauvignon, Moscato, Merlot, Riesling, assemblage Cabernet Sauvignon/Merlot
  • Santa Colina (Coop. Nova Aliança) - Cabernet Sauvignon, Merlot, Chardonnay, Pinot Noir, Riesling
  • Classic (Salton) - Tannat, Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Chardonnay, Riesling
  • Marcus James (Coop.Aurora) - Cabernet Sauvignon,Tannat, Pinot Noir, Riesling, Sauvignon Blanc, Chardonnay
  • Granja União (Coop. Garibaldi) - Cabernet Sauvignon, Merlot, Cabernet Franc (suave), Riesling, Malvasia (suave)
  • Gran Legado - Merlot, Cabernet Sauvignon, Chardonnay
  • Virtus Monte Pascoal (Vinhos Basso) - Cabernet Sauvignon (seco e suave), Merlot, Chardonnay, Moscato, Tannat, Merlot Rosé
  • Vale da Ferradura (Marson) - Cabernet Sauvignon, Merlot, Chardonnay
  • Clos de Nobles (Coop. Aurora) - Cabernet Franc, Tannat, Riesling
  • Aquasantiera (Coop. Garibaldi) - assemblages Tannat/Merlot/Cabernet Sauvignon e Moscato/Riesling/Trebiano
  • Saint Germain (Coop. Aurora) - Merlot (meio-seco), Cabernet Franc (suave), assemblage Cabernet Franc/Merlot, assemblage Moscato/Trebiano
  • Serra Nevada (Salton) - Cabernet Franc (meio-seco), Cabernet Sauvignon, Merlot 
  • Conde de Foucauld (Coop. Aurora) - Cabernet Franc
  • Jota Pe Varietal (Perini) - Moscato 

12 de out. de 2012

AVALIAÇÃO INDICA TENDÊNCIAS PARA OS VINHOS DA COPA

O conjunto de vinhos apresentados ao público na  20ª Avaliação Nacional de Vinhos - Safra 2012, em 29 de setembro, em Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul, pode indicar como serão os melhores vinhos a serem oferecidos aos brasileiros e visitantes na Copa Mundial de Futebol, no Brasil, em 2014. A observação é de Cristian Bernardi, presidente da Associação Brasileira de Enologia, entidade organizadora do evento. A maioria das amostras destacadas na Avaliação ainda encontra-se em maturação, em tanques ou barricas, devendo entrar no mercado ao longo de 2013 ou 2014, o ano do campeonato.

Entre os 16 mais representativos da safra 2012, estão vinhos brancos agradáveis, frutados e florais;  vinhos tintos de cor rubi intenso, vermelhos e violáceos, de taninos médios, macios, com aromas de frutas negras, compotas e especiarias; e vinhos base que prometem espumantes de cor brilhante, aromas delicados e bom frescor.  As 16 amostras selecionadas indicam que a vitivinicultura nacional está correspondendo às tendências de produção internacional, com a criação de produtos que, enologicamente, observam as novas tecnologias e os padrões de consumo global.

MAIS COR, TANINOS E ÁLCOOL
Tradicional, a presença de carvalho foi registrada em vários tintos, com declarada passagem por barrica, e em branco seco não aromático, já engarrafado. Entre os tintos, o destaque foi a alta intensidade de cor e qualidade dos taninos, denotando uvas de excelente maturação e potencial alcóolico, identificando-se, em alguns, estatura de vinhos de guarda. A maioria das amostras de vinhos finos superou os 13% de volume de álcool e alguns passaram de 14%.

Na seleção da safra 2012, entre os brancos, salientaram-se vinhos da uva Chardonnay , e entre os tintos, as variedades que entregam grande coloração, como Tannat,  Teroldego, Marselan, além do Cabernet Sauvignon. O Merlot, que se acredita vinho ícone da Serra Gaúcha, teve apenas uma amostra destacada.

REGIÃO NOVA
Por origem, entre os 16 vinhos da seleção há pelo menos um de uma nova região produtora do Rio Grande do Sul (Região do Alto Uruguai), representada pelo Tannat, de Antonio Dias Vinhos Finos, estabelecimento localizado em Três Palmeiras, no noroeste do Rio Grande do Sul. A Região da Serra Gaúcha arrebatou a maioria dos destaques, mas vinícolas da Região da Campanha, como Guatambu Estância do Vinho e Vinícola Almadén emplacaram uma amostra de Cabernet Sauvignon e de Tannat, respectivamente.

Selecionado na categoria vinho tinto fino seco jovem, está engarrafado e pode ser encontrado no mercado o Gamay 2012, com 11,49% de volume de álcool, da Vinícola Salton. Nesta edição, foram inscritas 387 amostras, de 70 empresas vinícolas. De cada categoria, selecionaram-se 30% de vinhos e, dentre esses, sairam os 16 vinhos mais representativos da safra 2012. A seleção dos vinhos ocorreu em agosto, com a participação de 120 enólogos experientes, que realizaram seu trabalho em 16 sessões. O público presente ao evento do dia 29 de setembro chegou a 850 pessoas.


VINHOS SELECIONADOS DA SAFRA 2012

EMPRESA
VARIEDADE
CATEGORIA
Antonio Dias Vinhos Finos Ltda
Tannat
Vinho fino tinto seco
Basso Vinhos e Espumante Ltda
Chardonnay
Vinho branco fino seco não aromático
Casa Valduga Vinhos Finos Ltda
Marselan
Vinho fino tinto seco
Cooperativa Vinícola Aurora
Cabernet Sauvignon
Vinho fino tinto seco
Cooperativa Vinícola Nova Aliança Ltda
Chardonnay
Vinho branco fino seco não aromático
Domno do Brasil Ind. Com. Bebidas Ltda
Chardonnay
Vinho base para espumante
Don Guerino
Teroldego
Vinho fino tinto seco
Guatambu Estância do Vinho
Cabernet Sauvignon
Vinho fino tinto seco
Luiz Argenta Vinhos Finos Ltda
Chardonnay
Vinho branco fino seco não aromático
Vinícola Almadén Ltda
Tannat
Vinho fino tinto seco
Vinícola Alma Única
Merlot
Vinho fino tinto seco
Vinícola Geisse Ltda
Chardonnay/Pinot Noir
Vinho base para espumante
Vinícola Góes & Venturini Ltda
Chardonnay
Vinho branco fino seco não aromático
Vinícola Miolo Ltda
Chardonnay/Pinot Noir
Vinho base para espumante
Vinícola Perini Ltda
Moscato Bianco
Vinho branco seco aromático
Vinícola Salton  S.A.
Gamay
Vinho tinto seco fino jovem

19 de set. de 2012

SETEMBRO: FEIRAS DE VINHO AGITAM HIPER E SUPERMERCADOS... NA FRANÇA

Capa da "Revista do Vinho da França" de setembro
UMA TRADIÇÃO DE 40 ANOS MOBILIZA COMÉRCIO E CONSUMIDORES E GERA FATURAMENTO DE MAIS DE 3 BILHÕES DE EUROS

Para os franceses apaixonados por vinho, o mês de setembro de cada ano reserva momentos de grande agitação. Em todo país, nas redes de supermercados, lojas de vinho, entrepostos e também nos sites de venda pela internet, se desenrolam as tradicionais feiras de vinhos. As feiras são um dos rituais anuais a que se entregam os franceses há cerca de 40 anos. Coincidindo com a vindima, é a hora de descobrir novos vinhos, suprir a adega da casa a preços apetecíveis e conseguir aquela garrafa há muito sonhada, por muito menos do que se pagaria normalmente.

PRODUTOS SELECIONADOS

Não se trata de venda de saldos, mas sim de oferta de produtos selecionados por profissionais, nas mais tradicionais regiões produtoras da França, dentro de cada segmento de preço, de “grands crus” a vinhos modestos, com preços atraentes. Os estabelecimentos reservam grandes espaços destinados às feiras. Alguns hipermercados chegam a instalar  até mil metros quadrados para o evento. Várias lojas do Carrefour destacaram profissionais para orientar os clientes, às vezes aturdidos diante das centenas de rótulos expostos. Neste ano, a rede também trouxe vitivinicultores para apresentar seus produtos. Especialistas no assunto constatam um avanço de qualidade nos vinhos expostos em 2012, com a melhoria na relação preço-qualidade.

Bandeira da cadeia de lojas de vinho Nicolas
Dentre as mais de 15 redes de super e hipermercados participantes das feiras, estão a líder Leclerc, Carrefour, Groupe Casino, Auchan, Intermarché, Franprix, Monoprix e Lidl. As ofertas também podem conferidas nas tradicionais redes de lojas de vinho Nicolas, Lavinia e outras, inclusive pela internet. Destacam-se ainda entrepostos de vinho como o 3C – Châteaux Cash and Carry, com dois depósitos nos arredores de Paris, cujo acervo é de mais de 500 mil garrafas. Esse estabelecimento organizou um catálogo por regiões, a preços com descontos equivalentes ao valor da TVA (taxa semelhante ao ICMS brasileiro), no seu período de feira, de 7 a 22 de setembro.

                                                   LISTAS DE "BARBADAS"

Encarte do Carrefour
Para ajudar os consumidores a escolher entre milhares de rótulos e preços, jornais, revistas, saites e blogs preparam listas com as “barbadas” e oportunidades da estação. É o caso de Vinogusto, existente desde 2007, com cerca de 500 mil acessos por mês – um guia de vinho e enoturismo baseado nas opiniões dos leitores e saite de marketing institucional de vinhos, turismo e gastronomia. Em suas páginas podem se encontradas as mais interessantes ofertas constantes das prateleiras das redes e lojas, com indicação de preço e informações sobre o vinho e o produtor. As feiras se estendem até meados de outubro, cada estabelecimento com períodos diferenciados de duas a quatro  semanas.

VOLUME DE VENDAS

A importância das feiras de vinhos mede-se pelo volume de vendas realizado. Em artigo na internet, a Revue du Vin de France  indica que o evento é responsável por 15% das vendas anuais da grande distribuição, chegando a 3,4 bilhões de euros em 2011.

Para a cadeia de hipermercados Leclerc, líder histórica das feiras de vinho desde 1973, o evento, em 15 dias, em 2011, representou 25% da cifra de vendas anual, excluindo vinhos de mesa e outros comuns. Isso representou 86 milhões de euros no ano passado, contou Didier Coustou, comprador de vinhos da central Leclerc, em entrevista ao site Intothewine . Segundo Didier, as redes Anchan e Carrefour venderam em período idêntico 60 milhões de euros.


Anúncio da cadeia Leclerc na internet
A cadeia Leclerc, com cerca de 500 pontos de venda, faz sua seleção de produtos entre janeiro e março, por região, denominação de origem e segmento de preço. Vinhos pré-selecionados são negociados com as vinícolas, passam por degustação às cegas e o melhor cotado é aprovado. Para 2012, profissionais da empresa degustaram 1500 amostras, aprovando 150 novos rótulos que se somaram aos já aprovados nos anos anteriores, informou Didier Coustou. Cada loja apresenta em comum 180 referências, somadas às ofertas da produção da região em que se encontra.

HISTÓRIA

O historiador Jean Baptiste Noé  diz que as feiras de vinho são uma espécie simbólica da continuação da vindima, uma herança transformada da época em que a França era majoritariamente rural. “O país se transformou, mas os franceses conservam um laço emocional com a terra e a ruralidade”, opina ele, em sua página na internet. Noé afirma que, nas feiras atuais, os tradicionais instrumentos da colheita da uva, tais como tesoura e cesta, foram substituídos pelo carrinho de supermercado. “Mas a idéia é a mesma, colher os melhores frutos, encontrar a melhor uva, ou seja, uma boa garrafa a um bom preço”, complementa.

26 de ago. de 2012

INVERNO IRREGULAR ADIANTA BROTAÇÃO DO VINHEDO NO SUL


Um inverno mesclado de frio e ondas de calor provocou a antecipação da brotação das videiras em várias regiões do Rio Grande do Sul. Isso não é totalmente estranho no estado, mas sempre deixa apreensivos os viticultores.  Eles temem o possível retorno de frio intenso com geadas em setembro, que pode danificar a ramificação nova, comprometendo a produção. Além disso, a precocidade também atropela o planejamento do trabalho no vinhedo. 

Depois de junho com fortes geadas e julho com soma de horas de frio muito superiores às dos últimos anos, o mês de agosto surpreendeu os gaúchos pela grande quantidade de dias muito quentes e pela quase ausência de frio ao longo do mês. 

Essas condições, aliadas à pouca chuva registrada no período, apressaram o ciclo da planta, cujo período de brotação, no Rio Grande do Sul, vai geralmente do fim de julho a início de outubro, conforme a variedade, explica o viticultor e enólogo Blásio Bervian.  Uvas brancas viníferas, tais como Riesling Renano e Chardonnay, e a de mesa Vênus, normalmente são de ciclo precoce.  Uvas comuns como Niágara e Bordô e algumas viníferas tintas, como Merlot e  Pinot Noir, e a branca Moscato são consideradas semi-precoces.  De ciclos tardios são a vinífera Cabernet Sauvignon e a comum Isabel.


Bervian, calcula que a brotação está adiantada uns 10 dias, em relação aos anos anteriores. 

Além da variedade, outros fatores contribuem para retardar ou deslanchar a brotação: a altitude, relacionada às temperaturas médias (em regiões mais altas, as médias de frio são mais baixas,  ao contrário das terras em altitudes menores); quantidade de luz natural, tanto solar como lunar (em invernos chuvosos e com neblina há menos luminosidade, diminuindo o estímulo aos processos vitais das plantas); e estresse hídrico, que tem consequência semelhante ao fator anterior.

No caso do Rio Grande do Sul, as condições climáticas que se verificaram de junho a agosto explicam a brotação precoce, segundo o enólogo. "Tivemos frio intenso com geadas fortes duas ou três vezes, que favoreceu a quebra de dormência, com ondas de calor logo em seguida. E com um inverno bastante seco, sem neblina e dias chuvosos, e ainda com a luz noturna da lua, foi estimulada a brotação precoce". Blásio Bervian observa que a fisiologia da videira é comandada pelas condições de clima e solo. "É um relógio interno que desperta quando as condições são atingidas".  Se geadas tivessem ocorrido também em julho e o frio se mantivesse constante e intenso no período, a brotação ocorreria mais tarde, calcula.